O técnico da Seleção Brasileira feminina, Arthur Elias, afirmou que o Brasil chegará preparado para disputar o título da Copa do Mundo de 2027, que será realizada no país. Em entrevista a Carlos Eduardo Eboli e Talita Giudice, no CBN Esportes, o treinador destacou a expectativa pela competição em casa e disse acreditar que a equipe terá condições de competir de igual para igual com as principais seleções do mundo. “É muito claro que a seleção brasileira vai jogar e vai chegar preparada para disputar o título da competição”, afirmou Arthur.
Apesar disso, o treinador evitou colocar o Brasil entre os principais favoritos ao título neste momento. Para ele, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, Alemanha e Japão, entre outras seleções, têm um retrospecto mais consistente em grandes competições. Arthur avalia, no entanto, que o fator casa pode ser uma vantagem para o Brasil. A Seleção fará a estreia no Maracanã, em um momento que o técnico classificou como “marcante” e “histórico”. “Eu considero que a gente tem aí pelo menos umas dez seleções com chances reais de título”, disse. Entre elas, citou também a Colômbia, que vem apresentando evolução nos últimos torneios. Marta vai para Copa? Um dos principais pontos da entrevista foi a situação de Marta. Aos 40 anos, a atacante ainda não tem presença garantida na Copa de 2027. Arthur afirmou que é cedo para definir a convocação, mas ressaltou que o desejo de contar com a jogadora existe tanto por parte da comissão técnica quanto da própria Marta. O treinador explicou que a temporada da atacante tem sido mais complicada até agora. Marta não fez a pré-temporada e teve menos minutos em campo do que em temporadas anteriores. Arthur, porém, lembrou o desempenho da jogadora na Copa América de 2025, quando ela foi decisiva para o título da Seleção. Brasil campeão da Copa América Feminina Lívia Villas Boas / CBF Segundo o técnico, a comissão vai trabalhar para que Marta tenha uma sequência de jogos e chegue ao primeiro semestre de 2027 em boas condições físicas e técnicas. “Não vamos nunca duvidar da genialidade e do poder de decisão da maior jogadora de todos os tempos”, afirmou. Arthur também ressaltou que a eventual presença de Marta não significa que a Seleção será construída exclusivamente em torno dela. Para o treinador, a equipe precisa chegar à Copa com diferentes jogadoras capazes de assumir protagonismo. Renovação acelerada Essa renovação é, segundo Arthur, um dos principais resultados dos três anos de trabalho à frente da Seleção. Desde que assumiu, em setembro de 2023, o treinador afirma ter buscado acelerar a integração de jogadoras mais jovens ao grupo principal. Ao todo, 91 atletas já foram testadas durante o ciclo. Arthur afirmou que uma base da equipe deve ser mantida nas próximas convocações, mas novas jogadoras ainda podem aparecer e outras podem retornar. Entre as atletas mais jovens que estão sendo observadas, estão jogadoras que disputam atualmente o Mundial Sub-20. Arthur citou Evelin, Kaylane Vieira, Thaís Lima e Clarinha como exemplos de atletas que já tiveram contato com a Seleção principal. Ana Morganti, também convocada anteriormente, ainda não estreou. Seleção com identidade própria Ao fazer o balanço dos três anos de trabalho, Arthur considera o saldo positivo. Quando assumiu, segundo ele, a Seleção vinha de resultados abaixo das expectativas em Copas do Mundo e Olimpíadas, e era necessário fazer mudanças profundas. O treinador afirma ter trabalhado não apenas na parte tática, mas também na construção de uma nova mentalidade e identidade para o grupo. Seleção Brasileira feminina de futebol comemora gol contra a Espanha Gaspar Nóbrega/COB Uma das principais características da equipe é a marcação individual em todo o campo. Arthur explica que o sistema busca manter os duelos individuais mesmo durante a fase defensiva para, após a recuperação da bola, deixar o Brasil em condições de atacar com mais espaço e protagonismo. Para ele, a estratégia também representa uma tentativa de valorizar características históricas do futebol brasileiro, como talento, criatividade e capacidade de improvisação, sem abrir mão da organização tática. O desafio até a Copa Com a aproximação do Mundial, Arthur afirma que a comissão técnica entra em uma fase de maior definição do elenco. As próximas datas Fifa serão importantes para testar os últimos ajustes, especialmente situações de mata-mata e diferentes cenários de jogo. O treinador destaca que, em uma Copa do Mundo, cada partida eliminatória exige preparação para diferentes momentos de acordo com o placar e o contexto do jogo. A expectativa, agora, é transformar os três anos de trabalho em uma preparação capaz de levar o Brasil à disputa pelo título em casa. “É muito orgulho, uma felicidade muito grande de esse momento estar chegando”, afirmou Arthur sobre a Copa no Brasil.
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