Artemis II voltará à Terra como 'bola de fogo' voadora 30 vezes mais rápida que a velocidade do som; saiba como acompanhar retorno da nave

 

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A tripulação da missão Artemis II está a poucas horas de concluir sua jornada histórica com a reentrada na atmosfera terrestre e a amerissagem prevista para a noite desta sexta-feira, no Oceano Pacífico, próximo à costa da Califórnia, nos Estados Unidos. Após dez dias de missão executada com precisão, o retorno seguro, que será transmitido ao vivo pelos canais oficiais da Nasa, é visto como o momento-chave para confirmar o sucesso do voo.

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"Podemos começar a comemorar quando a tripulação estiver em segurança a bordo da embarcação de recuperação", disse o vice-administrador da Nasa, Amit Kshatriya. "Será realmente nesse momento que poderemos deixar as emoções tomarem conta e começar a falar sobre o sucesso".

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A bordo da cápsula Orion, os astronautas Christina Koch, Victor Glover, Reid Wiseman e o canadense Jeremy Hansen retornam após terem percorrido mais de 406 mil quilômetros da Terra — a maior distância já alcançada por humanos no espaço. A amerissagem está prevista para ocorrer por volta das 21h (horário de Brasília).

O momento mais crítico da missão será a reentrada, quando a espaçonave atingirá velocidades próximas a 40 mil km/h, aproximadamente 30.8 vezes a velocidade do som, e enfrentará temperaturas de cerca de 2.700 °C. O escudo térmico da Orion, alvo de preocupação desde um teste não tripulado em 2022, será essencial para garantir a segurança da tripulação.

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"Passar pela atmosfera como uma bola de fogo" será uma experiência e tanto, afirmou o piloto Victor Glover, que admite apreensão desde que foi designado para a missão. Em outro momento, ele reforçou: "Ainda nem comecei a processar tudo o que aconteceu... e pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo."

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NASA / AFP

Saiba como acompanhar retorno da Artemis II à Terra

A fase de reentrada, que será 100% transmitida ao vivo com locução em inglês nos canais oficiais da Nasa. deve durar cerca de 13 minutos, incluindo um período de aproximadamente seis minutos sem comunicação com a Terra, causado pela formação de plasma ao redor da cápsula. Nesse intervalo, a Orion desacelerará drasticamente até a abertura de paraquedas, que reduzirão a velocidade para cerca de 32 km/h antes do pouso no mar.

"É impossível dizer que não restam apreensões irracionais", afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman. "Não vou parar de pensar nisso até que eles estejam na água."

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Para mitigar riscos identificados anteriormente, engenheiros ajustaram o ângulo de entrada na atmosfera, buscando reduzir o impacto térmico e evitar danos ao escudo. A margem de erro, no entanto, é mínima: um grau a mais ou a menos pode fazer a cápsula queimar ou ricochetear de volta ao espaço.

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Após a amerissagem, equipes de resgate devem alcançar a cápsula rapidamente, com a expectativa de retirar os astronautas em até duas horas. Eles serão levados à Base Naval de San Diego e devem retornar ao solo firme em até 24 horas.

Além do sucesso imediato, a missão Artemis II é considerada fundamental para os próximos passos da exploração espacial americana. O objetivo é validar sistemas para futuras missões tripuladas à Lua e, posteriormente, a Marte. A Nasa projeta um novo pouso lunar até 2028, embora especialistas apontem possíveis atrasos devido ao desenvolvimento dos módulos de pouso por empresas privadas.

Mais do que um teste técnico, a missão também teve um caráter simbólico. Segundo o comandante Reid Wiseman, a intenção era "permitir, mesmo que por um instante, que o mundo fizesse uma pausa".

Se a reentrada ocorrer como planejado, a Artemis II marcará o retorno dos Estados Unidos às missões tripuladas ao espaço profundo pela primeira vez desde 1972 — e abrirá caminho para uma nova era de exploração lunar.

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