Artemis II realiza nesta quinta (02) manobra para deixar a órbita terrestre rumo à Lua; entenda
A manobra mais importante da fase inicial da missão Artemis II, com a cápsula Orion, ocorre nesta quinta-feira (02), com o acionamento do motor principal para a chamada "injeção translunar". A manobra consiste em uma queima que retira a nave da órbita terrestre e a coloca em trajetória definitiva em direção à Lua.
Entenda o objetivo da missão Artemis II da Nasa
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A partir desse momento, a gravidade da Terra e da Lua guiará a cápsula para uma trajetória em "retorno livre". Isso significa que mesmo que os motores falhem depois, a nave voltará para "casa" naturalmente.
Com a conclusão dessa etapa, a missão entra, a partir de sexta-feira (03), na fase de viagem pelo espaço profundo.
Entenda
Nesse momento, com a rota definida, a tripulação segue em direção à Lua, testando sistemas críticos de suporte de vida, comunicação e navegação fora do alcance de satélites terrestres. Segundo Helio Jaques Rocha Pinto, presidente da Sociedade Astronômica Brasileira, a comunicação com a Terra permanece possível nessa fase, por meio de ondas de rádio. Ainda assim, há um risco, que é justamente o que diferencia esse trecho dos demais percursos:
"A diferença, na prática, é que a tripulação fica exposta à radiação solar, porque não há mais o campo magnético da Terra protegendo. São partículas de alta energia que podem afetar o organismo. No espaço, o tempo de exposição seria de cerca de 10 dias na missão, mas, por outro lado, a intensidade é maior. Então, o acúmulo dessa exposição pode ser danoso."
Ele também explicou o objetivo da missão atual:
"Na prática, o cerne seria de exploração comercial da Lua, já que o custo ambiental da mineração na Terra se torna cada vez maior. Na Lua, a gente tem inúmeros minerais com uma determinada facilidade de extração. Aquelas regiões que a gente vê na superfície da Lua, que são os mares, são as regiões mais escuras, quando a gente vê uma Lua cheia. Aqueles são terrenos basálticos. E, tal como na Terra, os terrenos basálticos possuem minerais pesados em abundância."
Os astronautas vão praticar procedimentos de emergência e manobras de pilotagem manual, com pequenas queimas de ajuste de rota ao longo do trajeto. No fim do quinto dia, a Orion entra na esfera de influência gravitacional da Lua, quando a atração lunar passa a ser maior do que a terrestre. O sexto dia é o momento mais aguardado, quando eles poderão ver a Lua pela janela.
O encerramento da missão está previsto para a sexta-feira seguinte, dia 10 de abril. Nessa fase, o módulo de serviço se prepara e se destrói na atmosfera.
Missão enfrentou alerta técnico no sistema sanitário da cápsula Orion
Lançamento da Artemis II
Divulgação/Nasa
A missão começou de forma bem-sucedida, mas enfrentou um imprevisto técnico nas primeiras horas de voo. Um alerta no sistema sanitário da cápsula Orion mobilizou a tripulação e as equipes em Terra, sendo resolvido ainda em órbita terrestre. Pouco antes de uma das manobras orbitais iniciais, os astronautas identificaram uma luz de falha piscando no painel, indicando um problema no Universal Waste Management System, responsável pela coleta e armazenamento de dejetos a bordo. A NASA informou que o episódio não comprometeu a segurança da missão.
A Orion foi lançada do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete mais poderoso já operado pela NASA, em uma missão de teste que não prevê pouso na Lua.
