Artemis II: O que você precisa saber sobre o lançamento da missão ao redor da Lua que ocorre nesta quarta-feira
A Nasa lança nesta quarta-feira a missão Artemis II, a primeira viagem tripulada ao redor da Lua desde 1972. Com duração prevista de cerca de 10 dias, o voo representa um marco na retomada da exploração lunar e deve servir como etapa decisiva para futuras missões com pouso no satélite natural.
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O lançamento está programado para a noite, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete Space Launch System (SLS), o mais poderoso já desenvolvido pela agência.
Os astronautas da missão Artemis II posam em frente ao foguete SLS, que os colocará em órbita
Nasa
Os astronautas vão pousar na Lua?
Diferentemente das históricas missões Apollo, a Artemis II não prevê pouso na superfície lunar. O objetivo principal é realizar um sobrevoo ao redor da Lua e retornar à Terra, testando sistemas essenciais para voos tripulados no espaço profundo, como suporte de vida, navegação e comunicação.
A trajetória seguirá o chamado “retorno livre”, em que a nave contorna a Lua e utiliza sua gravidade para retornar ao planeta sem necessidade de grandes correções de rota — um modelo considerado mais seguro para missões iniciais e semelhante à missão Apollo 8, em 1968.
Batizado em referência à deusa Artemis, irmã gêmea de Apolo na mitologia grega, o programa busca testar tecnologias necessárias para viagens humanas mais longas e complexas.
Tripulação histórica
A missão levará quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. O grupo reúne marcos históricos — Glover será o primeiro homem negro a viajar tão longe da Terra, Koch a primeira mulher e Hansen o primeiro canadense a participar de uma missão lunar.
Christina Koch detém o recorde de permanência contínua mais longa no espaço por uma mulher, com 328 dias. Ela ganhou projeção ao registrar uma “selfie espacial” com a Terra ao fundo, em 2019. Em missões futuras, pode se tornar a primeira mulher a pisar na Lua.
Tripulação viajará mais de 370 mil quilômetros da Terra em missão histórica
Reprodução/X
Etapas do voo
Após o lançamento, a nave Orion entrará em órbita terrestre antes de iniciar a viagem rumo à Lua. A ida deve levar cerca de quatro dias. Durante o percurso, os astronautas realizarão testes e experimentos científicos.
O sobrevoo lunar será seguido pelo retorno à Terra, com reentrada na atmosfera em alta velocidade — cerca de 40 mil km/h — e pouso no oceano Pacífico, onde a tripulação será resgatada. A expectativa é que a tripulação ultrapasse a marca da Apollo 13 e se torne a que mais se afastou do planeta.
Base para futuras missões
A Artemis II é a primeira missão tripulada do programa Artemis, que pretende estabelecer presença humana sustentável na Lua e, no futuro, viabilizar viagens a Marte.
— Estamos voltando à Lua porque é o próximo passo em nossa jornada rumo a Marte — afirmou o comandante da missão, Reid Wiseman.
Os dados coletados serão fundamentais para a Artemis III, planejada para levar astronautas à superfície lunar nos próximos anos.
Desafios e atrasos
O lançamento ocorre após uma série de adiamentos causados por problemas técnicos, como vazamentos de hidrogênio e falhas em sistemas de pressurização. Segundo a Nasa, as questões foram corrigidas após revisões de segurança e testes adicionais.
— É um voo de teste e não está isento de riscos, mas nossa equipe e nosso hardware estão prontos — disse Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa.
Ilustração da nave espacial tripulada Orion, da Nasa. Espaçonave corre risco de ser descontinuada após a missão Artemis III, prevista para 2027, conforme planejamento da administração Trump
NEMES LASZLO/SCIENCE PHOTO LIBRA / NLA / Science Photo Library via AFP
A Nasa havia levado o foguete e a cápsula Orion até a plataforma de lançamento em janeiro, em preparação para uma tentativa de voo no início de fevereiro. No entanto, a missão Artemis II foi adiada em um mês devido a um vazamento de hidrogênio ocorrido durante o abastecimento dos tanques do foguete em um ensaio geral.
A agência concluiu um ensaio bem-sucedido no fim de fevereiro, mas especialistas identificaram uma interrupção no fluxo de hélio para o estágio superior do foguete. O hélio é usado para pressurizar o hidrogênio e o oxigênio líquidos que funcionam como propelentes do motor. Como resultado, a Nasa retirou o foguete e a cápsula da plataforma e os levou de volta a um enorme hangar chamado Vehicle Assembly Building para reparos.
Nova era da exploração espacial
Mais de meio século após o fim do programa Apollo, a Artemis II marca o retorno da humanidade ao entorno da Lua. A missão é vista como o início de uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência de longo prazo fora da órbita terrestre.
A expectativa é que a tripulação ultrapasse a marca da Apollo 13 e se torne a que mais se afastou do planeta. O principal objetivo técnico é validar o desempenho do foguete e da nave para permitir, no futuro, uma missão com pouso lunar — prevista para 2028.
O cronograma, no entanto, depende de avanços ainda em desenvolvimento, como o módulo de pouso que será fornecido por empresas privadas ligadas a Elon Musk e Jeff Bezos.
A nova missão também carrega peso simbólico. Em 1968, a Apollo 8 levou três astronautas à órbita lunar na véspera de Natal, em uma transmissão assistida por cerca de um bilhão de pessoas. A tripulação ficou associada à imagem “Earthrise” e recebeu crédito por ter “salvado 1968”. Em um cenário atual descrito como de divisão e incerteza, a Artemis II surge com a ambição de repetir, ao menos em parte, esse impacto.
