Artemis II ficou 6 minutos sem comunicação durante reentrada; veja como foi a descida
A cápsula Integrity, da missão Artemis II, ficou cerca de seis minutos sem comunicação com o centro de controle da Nasa durante a reentrada na atmosfera da Terra, o momento mais crítico da viagem de volta da Lua. O silêncio, causado pelo calor extremo ao redor da nave, terminou com aplausos quando a voz do comandante Reid Wiseman voltou a ser ouvida: “Houston, aqui é a Integrity. Ouvimos vocês alto e claro”.
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40 mil km/h, 3.000°C e bloqueio de sinal: saiba o que os astronautas da Artemis II enfrentaram durante o retorno à Terra
A volta da Artemis II
NASA/Bill Ingalls/Divulgação
A perda de sinal, conhecida como “blackout”, é um fenômeno esperado. Ao atravessar as camadas mais densas da atmosfera a mais de 38 mil km/h, a cápsula fica envolta por um plasma superaquecido que bloqueia as comunicações, segundo a BBC. Ainda assim, o momento concentra a maior tensão da missão.
Após a retomada do contato, o trecho mais arriscado já havia sido superado. Pouco depois, os paraquedas principais, em vermelho e branco, se abriram com sucesso, desacelerando a nave até a amerissagem no Oceano Pacífico.
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A tripulação, formada por Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista de missão Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen, foi retirada da cápsula e levada de helicóptero ao navio de resgate USS John P. Murtha. Segundo a Nasa, os astronautas passam bem após a viagem de nove dias.
Mergulhadores da Marinha dos EUA e astronautas da Artemis II a bordo de uma balsa inflável são abordados por helicópteros e levados para o navio de recuperação após saírem da espaçonave Orion da NASA, que transportava o comandante da Artemis II, Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e a especialista de missão Christina Koch, da NASA, juntamente com o especialista de missão Jeremy Hansen, da CSA (Agência Espacial Canadense)
NASA James Blair/Divulgação
Antes da reentrada, a espaçonave Orion havia se separado do módulo de serviço, responsável por fornecer energia e propulsão durante a missão, iniciando a descida final rumo à Terra.
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O sucesso do retorno também ajuda a responder uma das principais preocupações dos engenheiros: o desempenho do escudo térmico. Em 2022, durante a missão não tripulada Artemis I, o revestimento apresentou desgaste inesperado, levantando dúvidas sobre sua eficácia em voos com astronautas.
Para esta missão, a agência alterou a trajetória de reentrada, reduzindo a carga térmica sobre a estrutura. Embora os dados completos ainda não tenham sido divulgados, o pouso seguro indica que a solução funcionou como previsto.
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Outro ponto crítico foi o ângulo de entrada na atmosfera. Se fosse muito raso, a cápsula poderia “quicar” de volta ao espaço; se muito íngreme, correria risco de superaquecimento. De acordo com a transmissão oficial, a Orion seguiu a trajetória ideal até atingir uma área pré-determinada no Pacífico.
— Isso não é sorte. São milhares de pessoas fazendo seu trabalho com precisão — afirmou o administrador associado da Nasa, Anit Kshatriya, ao comentar a manobra.
Artemis II, imagens da operação para reentrada na terra
Reprodução / NASA
A missão Artemis II levou humanos mais longe da Terra do que qualquer outro voo da história, em um trajeto de cerca de 400 mil quilômetros até a órbita lunar e de volta.
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O feito marca um passo importante no programa Artemis, que pretende retomar a presença humana na Lua mais de cinco décadas após as missões Apollo, encerradas em 1972.
Os próximos passos, no entanto, ainda enfrentam ajustes. A missão Artemis III foi reformulada e deve testar, em órbita terrestre, o acoplamento com módulos lunares desenvolvidos por empresas privadas. Já o primeiro pouso tripulado do programa, agora previsto para a Artemis IV, tem como meta 2028, embora haja incertezas sobre o cronograma.
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O retorno da Artemis II não levou astronautas à superfície lunar, mas cumpriu um objetivo essencial: demonstrar que a nave, a trajetória e os sistemas funcionam em conjunto — e que é possível levar humanos até a Lua e trazê-los de volta com segurança.
