Artemis II: astronautas registram 'pôr da Terra' e eclipse em imagens inéditas feitas durante passagem ao redor da Lua; veja

 

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Mais de 57 anos após o célebre registro do "amanhecer da Terra" (Earthrise), feito pela missão Apollo 8, os astronautas da missão Artemis II, da Nasa, capturaram uma nova perspectiva do planeta: o “pôr da Terra” visto do espaço. A imagem — feita minutos antes de os astronautas entrarem em um período de silêncio de rádio, ficando isolados da Terra por 40 minutos enquanto sobrevoavam o lado oculto da Lua — foi divulgada nesta terça-feira pela agência espacial e pela Casa Branca, junto com o registro de um eclipse solar.

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A foto mostra a Terra se ocultando atrás do horizonte lunar, fenômeno conhecido como "Earthset". O sol se pôs atrás da Lua, revelando tênues filamentos de sua atmosfera e criando um halo de luz ao redor da borda lunar. A vista foi ampliada por um campo de estrelas e planetas, incluindo Saturno e Vênus.

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O novo registro dialoga diretamente com uma das imagens mais icônicas da exploração espacial. Em 24 de dezembro de 1968, durante a missão Apollo 8, os astronautas Bill Anders, Frank Borman e Jim Lovell registraram um "Earthrise", no primeiro sobrevoo lunar tripulado da História.

Na Artemis II, os astronautas Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e o canadense Jeremy Hansen iniciaram, nesta terça-feira, o retorno à Terra após completarem o voo ao redor da Lua, durante o qual observaram regiões pouco exploradas do satélite.

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— Sempre escolheremos a Terra — disse Koch, assim que os tripulantes restabeleceram a comunicação. — Sempre escolheremos uns aos outros.

Ao emergirem do outro lado da Lua, os astronautas presenciaram mais uma visão de tirar o fôlego: um eclipse solar, de um ponto de vista jamais testemunhado por qualquer ser humano.

Astronautas observaram um eclipse solar ao emergirem do outro lado da Lua.

Divulgação / Nasa

Victor Glover, o piloto da Artemis II, disse que foi difícil capturar a imagem com uma câmera, mas a face da Lua estava suavemente iluminada pelo brilho da Terra.

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— Provavelmente, os humanos não evoluíram para ver o que estamos vendo — disse Glover, maravilhado. — É realmente difícil de descrever. É incrível.

Conforme a lua bloqueava a visão do sol, partes da coroa solar, tornaram-se visíveis, incluindo estruturas chamadas serpentinas, que eles descreveram como "fios de cabelo". A totalidade, ou seja, o momento em que o sol fica completamente oculto durante um eclipse, durou quase uma hora para os astronautas, enquanto na Terra dura apenas alguns minutos.

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Durante o eclipse, os astronautas também puderam ver planetas como Marte, Vênus e Saturno, além de estrelas e o brilho da Terra, ou seja, a luz refletida pelo planeta.

Embora fotografias de satélite do lado oculto da Lua tenham sido tiradas nas quase cinco décadas desde o último pouso humano em 1972, os tripulantes da Artemis II, segundo a Nasa, terem visto a região com seus próprios olhos foi algo inestimável.

Características da Lua

A equipe científica da missão treinou a tripulação para procurar características específicas na Lua, incluindo antigos fluxos de lava e crateras de impacto. Crateras são visíveis por toda a superfície lunar. No lado iluminado da Terra, nuvens são visíveis sobre a Austrália e a Oceania, enquanto o lado escuro está em período noturno.

Terra se pôs atrás da Lua

Divulgação / Nasa

Os astronautas, que tiraram cerca de 10 mil fotos, também avistaram anéis ao redor da "Bacia Orientale", uma das crateras de impacto mais jovens da Lua. Antes dessa missão, Orientale nunca havia sido vista por olhos humanos.

É possível avistar a bacia circular de Orientale e as duas crateras recém-nomeadas, Integrity e Carroll

Divulgação / Nasa

Na posição das 10 horas em relação a Orientale, encontram-se duas pequenas crateras. Os astronautas sugeriram que uma delas fosse batizada de "Integrity", em homenagem à sua espaçonave Orion, e a outra de Carroll, em homenagem à falecida esposa do comandante da missão Artemis II, Reid Wiseman. Carroll Taylor Wiseman, enfermeira em uma unidade de terapia intensiva neonatal, faleceu em 2020 após uma luta contra o câncer.

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Após batizarem a cratera de Carroll, os quatro astronautas se abraçaram em meio a lágrimas e um momento de silêncio foi observado no Centro de Controle de Missão da Nasa, em Houston.

(Com New York Times)