Artemis II: astronautas iniciam sobrevoo do lado oculto da Lua e ficam sem sinal de comunicação

 

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Após a missão Artemis II, da Nasa, ultrapassar o marco histórico de maior distância já atingida por humanos no espaço, na noite desta segunda-feira (6) os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion deram início ao sobrevoo do lado oculto da Lua. Eles ficarão cerca de 40 minutos sem contato com a agência nos Estados Unidos, a contar a partir das 19h47 (horário de Brasília).

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A ruptura tamporária aconteceu porque o satélite bloqueia sinais de rádio e laser entre a espaçonave e o controle da missão na Terra, assim, a comunicação constante com Houston, no Texas, será suspensa. Essa perda de contato é considerada um dos momentos mais delicados da viagem e será acompanhada com tensão pelas equipes em terra.

Antes de perde a comunicação, o piloto da missão, Victor Glover, leu uma carta que encerreou com a frase: "Nos veremos do outro lado".

Neste período de apagão, a espaçonave tem programado atingir seu ponto de maior afastamento da Terra, estimado em cerca de 407.000 km (252.760 milhas). Esse marco, que será outro ponto importante da missão, está previsto para as 20h07 (horário de Brasília).

Site da Nasa que mostra radar 3D em tempo real de missão Artemis II, que levará seres humanos à Lua, fora do ar após acesso da espaçonave ao lado oculto do satélite natural

Reprodução / Nasa

Na tarde desta segunda-feira, por volta das 14h58 (horário de Brasília), a tripulação superou o recorde estabelecido pela missão Apollo 13, em 1970, que havia chegado a cerca de 400 mil km de distância da Terra. O feito representa um momento-chave no retorno dos Estados Unidos ao satélite natural do nosso planeta.

A tripulação entrou na fase final da missão na madrugada desta segunda quando a cápsula Orion ingressou na esfera gravitacional lunar.

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Mais cedo, o piloto da missão, Victor Glover, afirmou que a tripulação pretende aproveitar o momento de isolamento. Segundo ele, os astronautas planejam usar o período para reflexão, com orações e pensamentos positivos, enquanto aguardam o restabelecimento do contato.

— Quando estivermos atrás da Lua, sem contato com ninguém, vamos aproveitar isso como uma oportunidade — disse. Vamos rezar, ter esperança, enviar bons pensamentos e sentimentos para que possamos restabelecer o contato com a tripulação.

O lado 'claro' da Lua

Reprodução

A situação remete a um desafio histórico das missões Apollo. Na Apollo 11, o astronauta Michael Collins permaneceu no módulo de comando enquanto Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam na superfície lunar. Durante a passagem pelo lado oculto, ele ficou sem comunicação por 48 minutos e descreveu a experiência como estar “verdadeiramente sozinho” e “isolado de qualquer forma de vida conhecida”, embora também tenha relatado tranquilidade.

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Na Terra, o período de silêncio será acompanhado com expectativa. A estação de Goonhilly, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, terá papel importante ao captar sinais da cápsula Orion, determinar sua posição e enviar dados à NASA. O diretor de tecnologia da instalação, Matt Cosby, afirmou que a equipe ficará apreensiva durante a perda de sinal, mas destacou que o retorno da comunicação indicará que todos estão seguros:

— Esta é a primeira vez que estamos rastreando uma espaçonave com humanos a bordo — afirmou. — Vamos ficar um pouco nervosos quando ela passar por trás da Lua, e depois ficaremos muito empolgados quando a virmos novamente, porque saberemos que todos estão seguros.

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Ele também ressaltou que a limitação na comunicação ainda é um desafio para futuras missões, especialmente para uma presença humana sustentável na Lua, que exigirá cobertura contínua, inclusive no lado oculto. A Agência Espacial Europeia desenvolve o programa Moonlight, que prevê uma rede de satélites ao redor da Lua para garantir comunicação permanente.

— Para uma presença sustentável na Lua, você precisa de comunicação completa, precisa de 24 horas por dia, mesmo no lado oculto, porque esse lado também deverá ser explorado — afirmou.

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Com duração estimada de 10 dias, a Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa Artemis, iniciativa que pretende levar astronautas novamente à superfície lunar até 2028 e estabelecer uma presença contínua como preparação para futuras missões a Marte.

O sobrevoo lunar, previsto para começar na tarde desta segunda-feira e durar cerca de seis horas, permitirá aos astronautas capturar imagens detalhadas da Lua e da Terra, incluindo um raro registro do planeta surgindo no horizonte lunar.

A missão é acompanhada por uma equipe de cientistas no Centro Espacial Johnson, que analisa os dados e observações coletados durante esta etapa crítica do voo.

'Não se esqueçam de apreciar a vista'

Os astronautas começaram seu dia histórico com uma mensagem do falecido Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e 13 e gravou a mensagem pouco antes de sua morte.

— Um dia histórico, e eu sei o quanto vocês estarão ocupados, mas não se esqueçam de apreciar a vista — ouviram os astronautas de Lovell.

Falecido aos 97 anos, o capitão conseguiu salvar a missão Apollo 13 depois de uma explosão a caminho da Lua; o americano chegou até mesmo a ser imortalizado em um filme de Tom Hanks: "Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo".

— Bem-vindos à minha antiga vizinhança — disse ele e concluiu: — Tenho orgulho de passar esse bastão para vocês enquanto orbitam a Lua.

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