Arte Pará 2026: mostra incentiva acesso aos universos de Elieni Tenório e Tagore

 

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Ingressar no mundo das artes plásticas é uma aventura fascinante tanto para os artistas como para o público espectador. Isso porque se trata de um aprendizado que resulta em um novo olhar para a vida em suas dimensões e valores diversos, ou seja, permite descobrir possibilidades de sentir, pensar e agir com relação ao mundo. Esse processo vem sendo incentivado em Belém e em outras cidades do estado, por meio do Arte Pará, mostra competitiva promovida pelo Grupo Liberal que este ano chega à sua 42ª edição, em 5 de novembro, com o aval de dois artistas muito especiais: Elieni Tenório e Tagore (Jair Jr). Ambos com experiências artísticas nesse evento cultural.


A obra de Elieni Tenório, 71 anos, nascida em Mazagão (AP), dispensa apresentações. Essa artista, com 40 anos de carreira, tem dado uma contribuição inestimável para a valorização e divulgação das artes plásticas paraenses dentro e fora do Brasil. 


A exposição “Vestida de Obsessão”, de Elieni Tenório, ganhou o Prêmio Aquisição do Salão Arte Pará (XXV Salão Arte Pará, 2° Grande Prêmio, em 2006). Ela teve outras premiações de Aquisição e Menção Honrosa e ainda participou várias vezes como convidada.


A artista tem um estilo inconfundível em diversos suportes e foco nas nuances do universo feminino. “O processo criativo que desenvolvo compreende muitas experimentações, incluindo várias técnicas como: desenho, pintura, desenho e costura. A costura entrou no meu fazer artístico por meio da minha vivência. Desde criança, costurava à mão para cobrir os objetos como vidro para representar as bonecas.


Elieni Tenório: sensibilidade para criar imagens alusivas ao universo feminino (Foto: Wagner Santana / O Liberal)


Esse processo, não linear, é desafiador. É um processo de construção/desconstrução que tem como referencial a roupa enquanto segunda pele. Assim, fui transformando a minha trajetória artística na minha história de vida”. 


“No início da minha carreira, trabalhei as telas nas crônicas do dia a dia e  depois trabalhei  abstraindo as formas femininas. No trabalho, eu falo de mim e também de todas as mulheres que estão contidas em mim”, acrescenta Elieni.


Com uma obra vasta e densa, Elieni Tenório compartilha sua impressão sobre o papel do Arte Pará na cultura paraense, amazônida. “O Arte Pará recebe trabalhos de diversas técnicas e categorias de produção artística como: desenho, pintura, gravura, fotografia, instalações, vídeos e arte conceitual, constituindo-se um espaço importante para a divulgação e conhecimento dessa produção em níveis local, regional e nacional. O evento contribui para a democratização do acesso aos bens culturais, formação de público e reflexão crítica. As visitas monitoradas e a realização de relatos de experiência cumprem também papel de destaque”. 


Elieni diz que ter participado do Arte Pará “foi importante para ampliar a visibilidade da minha produção artística”. Ela ressalta ser “importante para o público conhecer  a produção da arte paraense e de outros estados”. 


Criação


Jair Rabindranath Tagore Júnior nasceu no bairro do Reduto, em Belém, e desde 1983 expõe obras ao público, na sequência dos desenhos e pinturas feitos desde criança. Ele lembra que a primeira exposição ocorreu em 1983, no 2º Arte Pará, quando, então, tinha 17 anos. São, portanto, 43 anos de atividades desse artista plástico.


Tagore conta que a mãe dele (Maria Thereza Bastos) era contadora de profissão e uma ótima desenhista. Assim, “o brinquedo predileto lá em casa era fazer desenhos, bonecos de papel. Então, ela foi a minha grande incentivadora na forma do desenho. Mas quem me colocou no mundo das artes plásticas foi o Arte Pará. O de 1983 abriu as portas para mim”, ressalta.


Tagore: celebração da vida por meio de trabalhos que contam sobre vivências múltiplas como artista plástico (Foto: Wagner Santana / O Liberal)


Ele relembra que por ter classificado um trabalho, ainda muito jovem, “o Seu Romulo Maiorana me premiou com uma bolsa de estudo de 1983 a 1986, quando ocorreu o falecimento dele”. Tagore salienta que o Arte Pará formou gerações de artistas. No caso dele, após sete ou oito anos que começou a pintar, foi convidado a ser professor de Artes, quando ainda tinha três meses como calouro do curso de Licenciatura em Artes. Isso graças à projeção que o evento realizado pela Fundação Romulo Maiorana havia dado a ele. Tagore é curador de arte, artista plástico e atua como professor há 34 anos.


Em 2017, esse artista teve sua última participação no Arte Pará. Foram 30 participações no evento. Ele conquistou 16 prêmios nessa Mostra Competitiva.  Tagore considera importante novos artistas tomarem parte nesse evento cultural, “que são frutos também do Arte Pará, porque há hoje em Belém um diálogo muito bom da nova geração que está aí com a minha geração, e parte da minha faz questão de que esse espaço possa ser preenchido por esse pessoal novo”. Foram mais de 30 participações de Tagore na Mostra. 


Ele acredita que todo ser humano tem potencial para a arte. Não é apenas o conhecimento da técnica que faz um artista plástico, mas, como frisa Tagore, se trata de “uma alma diferente, que pensa no mundo, que quer se comunicar por meio da arte, quer expressar os seus sentimentos”. “O artista plástico é mais alma do que técnica, é muito mais ser humano”, reitera. 


Esse artista tem na pintura sua principal expressão artística, mas no Arte Pará já fez de tudo, como instalações, de que gosta muito. Nessa Mostra, ele já fez até rifa e colocou o público para dançar ao som de Waldick Soriano e brega, e ainda levou feirantes para o Arte Pará, entre outros feitos. 


No contexto da arte como uma necessidade do ser humano, como diz, “ninguém ensina a outra pessoa a gostar de arte, a gente já nasce com o gostar de fazer arte”. Ressalta que isso se dá com uma criança ainda bebê quando escuta música pela primeira vez e balança o corpo todo. Uma criança, com um ano de idade, se receber uma caneta vai riscar as paredes. “É uma necessidade nossa de se expressar, historicamente falando,e as pinturas rupestres estão aí comprovando isso, essa necessidade do homem de fazer, produzir arte”, pontua Tagore.


O Arte Pará 2026 é uma promoção do Grupo Liberal, com realização da Fundação Romulo Maiorana. Essa Mostra Competitiva será aberta em 5 de novembro, em sintonia com os 80 anos do Jornal O Liberal no dia 15 deste mesmo mês. O Arte Pará 2026 tem curadoria da artista plástica Keyla Sobral.