Art déco: ícones arquitetônicos do Rio ganham cara nova

Art déco: ícones arquitetônicos do Rio ganham cara nova - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

As linhas geométricas, as fachadas escalonadas, os frisos e as varandas boleadas do art déco fazem parte da identidade arquitetônica do Rio de Janeiro. Presentes em construções emblemáticas, como o Cristo Redentor e a torre do relógio da Central do Brasil, essas marcas ajudam a contar a história da verticalização da cidade.

O estilo chegou ao Rio no fim dos anos 1920, na esteira da Exposição Internacional de Artes Decorativas de Paris, realizada em 1925, e deixou um legado especialmente visível em Copacabana e no Centro. Na Praça Mauá, um dos principais símbolos dessa herança é o Edifício A Noite.

Projetado por Joseph Gire, o mesmo arquiteto do Copacabana Palace e do Hotel Glória, foi inaugurado em 1929 como o primeiro arranha-céu de concreto armado da América Latina. Com 22 andares e 102 metros de altura, abrigou o jornal que lhe deu nome e a Rádio Nacional.

A recuperação desses edifícios ganha força com o retrofit. Criado pela prefeitura em 2021, o programa Reviver Centro incentiva a conversão de prédios comerciais em residenciais, com isenções de IPTU e ITBI.

Fechado oficialmente desde 2012, o edifício está sendo transformado pela Azo em um residencial com 447 apartamentos, três lojas, restaurante no 23º andar e mirante aberto ao público. O projeto recebeu o Prêmio Ademi 2025 na categoria Retrofit.

— A valorização do art déco passa pela recuperação de elementos históricos que traduzem a linguagem do movimento, como a fachada e seus enfeites e a escada helicoidal, que tem um guarda-corpo de ferro estilizado com o símbolo “N”, referência ao jornal A Noite. É uma assinatura discreta, praticamente escondida, que atravessou quase um século e será restaurada no retrofit — afirma Laura Parizi, superintendente de Incorporação da Azo.

A Noite: a escada helicoidal tem um guarda-corpo de ferro estilizado com o símbolo “N”, em referência ao jornal AZO/Divulgação

Na Rua do Acre, o antigo prédio da Companhia Docas, fechado há mais de uma década, também terá a fachada integralmente preservada, a exemplo do antigo imóvel da Cedae, junto à Pedra do Sal. A proposta é recuperar construções históricas e trazer moradores de volta ao Centro, em vez de recorrer à demolição.

É o que faz a WPX Empreendimentos no edifício da Avenida Rio Branco 26, rebatizado de ARB26 — É um prédio de 1937, projetado pelo arquiteto italiano Luigi Fossati, que carrega uma memória importante da arquitetura e da transformação urbana do Rio.

As intervenções contemporâneas são destacadas por meio da cor. Essa diferenciação evita a criação de um falso histórico e permite que a trajetória do edifício continue sendo lida com clareza — explica Juliana Valverde, diretora Criativa da WPX.

As intervenções em imóveis art déco costumam ser acompanhadas pelo Iphan ou pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, para garantir a preservação das características originais sem comprometer a segurança e o cumprimento das normas vigentes. É o caso do antigo prédio da Mesbla, no Passeio Público, que abriga uma torre-relógio art déco de cem metros.

Assinado pelo arquiteto francês Henri Sajous, o edifício está sendo transformado pelo Grupo CTV no Ora, residencial com 191 unidades. A torre tornou-se referência na paisagem carioca, acompanhando as mudanças do Centro e marcando as horas para gerações de moradores.

— O art déco carrega a memória de um Rio que construiu sua identidade por meio de edifícios extraordinários. É o mesmo sentimento que temos ao olhar para o Hotel Glória.

São construções com uma história e uma identidade que nenhuma obra nova consegue reproduzir. Nosso desafio é trazer modernidade, conforto e funcionalidade sem perder a alma e o charme da arquitetura original — diz Guilherme Mororó, diretor Comercial e de Marketing do Grupo CTV.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →