Arroz com ovo, mais do que para quebrar um galho: supera a carne vermelha em valor nutricional
Durante muito tempo, a combinação de arroz com ovo foi percebida apenas como um prato de emergência ou um símbolo de simplicidade na cozinha.
No entanto, a ciência dos alimentos transformou essa narrativa, demonstrando que essa dupla é, na realidade, uma das combinações mais eficientes do ponto de vista nutricional.
O que antes era considerado um cardápio de escassez hoje é reconhecido como uma fórmula de alto rendimento para quem busca saúde e energia sustentada.
A eficácia desse prato reside no conceito de Valor Biológico (VB). O arroz é uma excelente fonte de energia, mas carece de um aminoácido essencial chamado lisina.
O ovo é considerado uma excelente fonte de vitaminas e minerais
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Por sua vez, o ovo possui todos os aminoácidos de que o corpo humano necessita. Ao se unirem, o ovo completa o perfil do cereal, criando uma proteína de alta qualidade que o organismo utiliza para produzir hormônios e reparar tecidos musculares com uma eficiência comparável — e, às vezes, superior — à das carnes vermelhas.
Por que os esportistas escolhem esse prato
Para quem pratica atividade física intensa ou esportes de resistência, o arroz com ovo se consolidou como um aliado estratégico. As razões de sua popularidade no campo do bem-estar físico incluem:
Energia duradoura: os carboidratos presentes no arroz são fundamentais para recarregar as reservas de glicogênio do corpo.
Reparação de tecidos: os aminoácidos de alta disponibilidade do ovo reconstroem as fibras musculares após o exercício.
Eficiência econômica: representa a forma mais acessível de obter uma proteína completa sem a necessidade de recorrer a suplementos caros.
— O arroz com ovo é como um jogo de Lego: o ovo coloca as peças que faltam ao arroz para construir saúde — afirma Bruno Román, especialista em ciência dos alimentos, em declarações ao portal de notícias Miyeilis Flores.
Dicas para maximizar os benefícios do arroz com ovo
Para elevar esse prato a um nível superior de bem-estar, existem técnicas simples que melhoram seu perfil metabólico. Uma delas é o choque térmico: cozinhar o arroz com antecedência, deixá-lo esfriar na geladeira e reaquecê-lo suavemente antes de consumi-lo. Esse processo gera amido resistente, um tipo de fibra que é absorvida mais lentamente e beneficia a microbiota intestinal.
Quanto à segurança alimentar, recomenda-se lavar o arroz repetidas vezes até que a água fique transparente e cozinhá-lo com bastante água para reduzir os vestígios de arsênio que o cereal absorve do solo.
Da mesma forma, para evitar picos de açúcar no sangue, o ideal é acompanhar o prato com uma porção de vegetais verdes, cuja fibra desacelera a absorção do amido.
Existem diversas maneiras de integrar esses ingredientes para obter resultados ideais de acordo com o objetivo pessoal:
Combinação com leguminosas: misturar arroz com lentilhas ou grão-de-bico junto com o ovo potencializa a qualidade proteica e o aporte de fibras.
Arroz integral com ovo pochê: o uso de grãos integrais aumenta o teor de vitaminas, enquanto o cozimento do ovo em água preserva os nutrientes da gema.
Refogado com vegetais: incorporar brócolis, pimentões ou cenouras em fogo médio permite uma digestão mais leve e maior saciedade.
É importante manter um equilíbrio nas proporções, priorizando aproximadamente meia xícara de arroz para cada ovo, para não deslocar a proteína com um excesso de carboidratos.
Evitar o fogo excessivo que doura demais as bordas do ovo é fundamental, já que o calor extremo pode degradar as proteínas e oxidar as gorduras saudáveis da gema, reduzindo o valor dessa poderosa ferramenta nutricional.
