Arrancar uma flor ou jogar casca de fruta no chão: práticas em parques nacionais podem render multa
E se eu te falar que arrancar uma flor que achou bonita, pegar uma pedra diferente, uma concha, andar fora da trilha, ou jogar casca de fruta em parques nacionais pode render multa de até 5 mil reais? É isso mesmo, atitudes que parecem simples e sem importancia podem render dor de cabeça e pesar do bolso. E a longo prazo, se forem repetidas por milhares de visitantes, até desequilibrio ambiental.
A coordenadora-geral de Uso Público e Negócios do Instituto Chico Mendes, Carla Guaitanele, lista os impactos que podem ser trazidos se você não seguir à risca as orientações dos cuidados dos parques.
"O visitante está comendo uma banana e jogar a casca de banana naquela lógica de é orgânico, etc, daqui a pouco se decompõe. Mas isso traz um grande impacto. Acho que o primeiro impacto, que é mais fácil para todos conseguirem visualizar, é se a gente tem 200 visitantes, os 200 jogam a casca de banana no mesmo lugar ou ao longo da trilha, a gente vai ter uma trilha imunda visualmente. Então, para o próprio visitante fica desagradável. Então, atrai alguns insetos que não são desejáveis, que eles entrem na unidade de conservação, enfim, essa questão visual mesmo. E outra é a questão do impacto com a própria fauna. Então, a gente acaba atraindo tanto fauna que vem de fora da unidade de conservação como a própria fauna da unidade de conservação e que não está habituada com aquele alimento."
Hoje o Brasil tem 75 parques nacionais, que são unidades de conservação federais geridas pelo ICMBio para proteção da biodiversidade, pesquisa, educação e ecoturismo. Essas unidades ocupam mais de 3% do territorio brasileiro, e recebem mais de 20 milhões de visitantes anualmente.
A extensão de um único parque pode chegar a 38 mil quilometros quadrados, como é o caso do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, localizado no Amapá e Pará, cuja extenção é quase a do estado do rio de janeiro.
A servidora do ICMBio chama atenção que as atitudes que parecem ingênuas, podem trazer danos até irreparáveis.
"Pode ser uma advertência, pode ser uma multa, depende do caso, depende do contexto, mas ela pode gerar. Então, é especial quando tem essas infrações, onde a gente percebe que nós fizemos o possível para sensibilizar o visitante, para que ele conseguisse ter uma visita bem ordenada, bem consciente dos segmentos daquele local. Um caso, por exemplo, Chapada dos Veadeiros tem o vídeo, no site tem as informações. Então, tem pessoas à disposição para dar informações na entrada, ao longo da trilha. Mesmo com tudo isso, ele foi para uma área que é fechada a visitação, estava, enfim, coletando plantas e etc. Então, a gente já não consegue, ele já não consegue justificar"
A pesquisadora do Departamento de Ecologia da UnB, Carmen Regina Mendes, reforça a necessidade de guias pra que com ensinamentos sobre a fauna e flora, despertem consciência de cuidado nos visitantes. Ela explica que levar vegetação nativa de um lugar pra outro, pode resultar em desequilíbrio e até avanço de pragas.
"Você nunca sabe as condições que demanda que ela vai ter naquele outro local. E aí o que acontece? Se ela tem uma reprodução, digamos assim, muito intensa, algo que favoreça, porque os desequilíbrios eles vêm como? Uma população é desfavorecida em função de outra que é favorecida. de qualquer, tanto de fauna quanto de flora. É assim que se dá o processo de desequilíbrio biológico. E você pode ter uma interferência genética, inclusive, de cruzamentos."
Quanto ao descarte de lixo organico, como casca de banana, isso pode por exemplo resultar em ataques de animais como macacos e trazer prejuizo, não só para a saude dos bichos, como para os humanos.
"Tem que ter um limite dessa interação, mas as pessoas dão comida, mas é claro que eles vão. Se eles têm acesso à comida, qualquer animal, né? Se ele tiver o acesso ao alimento facilitado, ele não vai ficar buscando, caçando, pulando de galho em galho, procurando. Ele tá ali e as pessoas não, né? Porque acham bonitinho eles chegarem perto e tudo. Mas assim, é uma relação muito delicada, que tem que ter muito cuidado"
De acordo com dados do Instituto Chico mendes, somente de janeiro até agosto de 2025, 1160 autos de infração foram lavrados em unidades de conservação geridas por eles por irregularidades contra a fauna e flora. O numero teve um salto em comparação ao mesmo periodo de 2024, quando foram realizados 786 registros.
