Armínio Fraga diz que sistema financeiro do Brasil não está ‘fragilizado’, apesar de liquidações
Na quarta-feira, o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Pleno, que já integrou o Grupo Master. Diante de uma sequência de liquidações — do conglomerado do Banco Master ao Will Bank, por exemplo — e identificação de irregularidades, há motivos para que surjam questionamentos entre brasileiros e investidores. Em entrevista ao Jornal da CBN, o economista e ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, diz que é preciso “ficar atento” quanto aos depósitos bancários, em especial aqueles que são feitos acima do limite garantido pelo governo de R$ 250 mil.
O economista tranquiliza e diz acreditar que tais liquidações e irregularidades não sejam sinal de que o sistema financeiro brasileiro esteja fragilizado.
“Quando um grande terremoto acontece, como o Banco Master, temos os pequenos choques que vêm depois, no caso de uma rede de instituições conectadas. Todas (as instituições) são parte de um esquema gigante que ainda está sendo esclarecido. Não creio que isso seja um sinal de que o sistema todo está fragilizado, mas esse é um caso grande”, afirma.
De acordo com Fraga, o Banco Central já iniciou um processo de sindicância (algo como uma avaliação interna) para evitar situações como a do conglomerado do Banco Master. A ideia, na prática, é entender como o caso apareceu e não foi identificado antes.
“Há sinais que já eram visíveis, principalmente para os bancos e para o setor financeiro em geral, como o próprio FGC, que lançou vários alertas sobre a situação”, diz.
Caso superado?
Apesar dos recentes desdobramentos, como a própria liquidação do Banco Pleno, o economista acredita que a situação do conglomerado já está “superada”. A possibilidade de eventos semelhantes em curto prazo é, portanto, pequena.
“No momento em que a taxa de juros já vem alta há bastante tempo no Brasil, é natural que surjam problemas de crédito. Várias empresas estão entrando em recuperação judicial, os pequenos devedores que pagam taxas enormes certamente estão no sufoco… Tudo isso é verdade, mas o sistema brasileiro é bem provisionado e bem administrado. Não extrapolaria este caso para os demais bancos do sistema”, finaliza Fraga.
