Armazém Docas André Rebouças, na Zona Portuária do Rio, receberá obras para virar centro de referência da população negra
Localizado em frente ao Sítio Arqueológico Cais do Valongo, na região da Pequena África, no Centro do Rio, o antigo edifício Docas Dom Pedro II rebatizado no ano passado com o nome do engenheiro André Rebouças, seu idealizador, vai passar por obras. O espaço vai receber investimento de R$ 86,2 milhões, oriundos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para se tornar um dos maiores complexos da América Latina dedicados à memória da população negra.
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O processo licitatório para contratação da empresa de restauração foi conduzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e já possui vencedor. Entretanto, a previsão para início das intervenções nem o cronograma de obras foi informado pelo órgão.
Procurado, o Iphan informou, por meio de nota, que "finalizou o processo licitatório para a realização de obras no Armazém Docas André Rebouças". Segundo o órgão, as próximas etapas incluem "a disponibilização de recursos pelo Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), o empenho e a assinatura do contrato com a empresa selecionada, o que viabilizará o início das intervenções em data a ser definida".
Após as intervenções, o imóvel abrigará o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, equipamento cultural voltado a ações de valorização da herança africana, da diáspora negra e do legado de André Rebouças. A ideia é que o espaço, que já é considerado verdadeiro patrimônio cultural afro-brasileiro, se transforme num ponto estratégico de mediação, pesquisa, formação e difusão de conteúdos relacionados ao Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
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A Fundação Cultural Palmares, responsável pelo equipamento, coordenará o Centro, com participação social dos movimentos sociais negros, organizações do território e o comitê gestor do Cais do Valongo. O Armazém também abrigará o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana (LAAU), responsável pela preservação e estudo de mais de um milhão de peças arqueológicas. Entre os destaques estão materiais encontrados nas escavações do Sítio Arqueológico Cais do Valongo, considerado fundamentais para a compreensão da história da escravidão, do tráfico transatlântico de africanos escravizados e da resistência negra no Brasil.
Chamada originalmente de Armazém Docas Dom Pedro II, a construção de tijolinhos vermelhos, de 1871, na Rua Barão de Tefé, tem uma forte ligação com a história da escravidão no Brasil. Além de ficar muito perto do Cais do Valongo — onde desembarcaram um milhão de escravizados —, o prédio foi projetado e construído por um engenheiro negro, o abolicionista André Rebouças, que era diretor de obras da Alfândega e exigiu mão de obra livre na empreitada. O prédio foi tombado pelo Iphan em 2018.
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