Armas antidrone dos EUA expõem risco no espaço aéreo civil após fechamento de aeroporto no Texas

 

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Nos últimos anos, as Forças Armadas dos Estados Unidos avançaram rapidamente na construção de um arsenal de armas, mísseis, lasers e bloqueadores capazes de abater drones. No entanto, o progresso tem sido muito menor na definição das regras e procedimentos necessários para o uso seguro dessas tecnologias em um espaço aéreo civil congestionado.

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Essa desconexão causou o fechamento repentino e inesperado do espaço aéreo sobre El Paso na noite da última terça-feira. Há relatos divergentes sobre o que levou a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) a fechar o espaço aéreo. No dia seguinte, o governo de Donald Trump afirmou que uma incursão repentina de drones de cartéis de drogas mexicanos exigiu uma resposta militar. Outros disseram que o fechamento foi motivado pelo uso de uma nova tecnologia militar antidrone e por preocupações com os riscos que ela poderia representar para outras aeronaves na área.

Washington está numa corrida para construir armas antidrone há uma década, desde que combatentes do Estado Islâmico começaram a usá-las para atacar tropas americanas. Ataques surpresa como os que a Ucrânia lançou contra aeródromos russos no ano passado mostraram que mesmo bases americanas distantes de zonas de conflito estão em risco.

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O Departamento de Defesa agora possui sistemas guiados por radar armados com lasers que podem incinerar drones no ar; equipamentos lançados por foguetes que podem sobrevoar e atacar em enxames para derrubá-los; e poderosos dispositivos de micro-ondas que emitem um pulso de energia para fritar seus componentes eletrônicos.

O arsenal, em rápida expansão, colocou as Forças Armadas americanas em uma situação delicada, pois elas sabem que precisam proteger suas bases, mas a maioria das armas antidrone que desenvolveram destina-se apenas a zonas de guerra.

Segundo Stacie Pettyjohn, especialista em drones do Centro para uma Nova Segurança Americana, ainda não há, porém, informações sobre como elas podem ser usadas com segurança no espaço aéreo doméstico, repleto de aeronaves civis.

— Se você disparar um laser contra um drone, ele pode viajar uma longa distância e atingir outra aeronave — disse ela. — Mesmo defesas aparentemente inofensivas, como bloqueadores de rádio, projetados para interferir sinais de navegação GPS ou interromper as comunicações entre um drone e seu controlador, podem ser extremamente perigosas se influenciarem nos controles de um avião comercial.

O Aeroporto Internacional de El Paso fica bem ao lado da Base Aérea do Exército Biggs, em Fort Bliss, no Texas. Para Pettyjohn, é possível que as autoridades civis tenham detectado um dispositivo de interferência ou outra ameaça representada pelas defesas do Exército e, por isso, suspenderam todos os voos.

O aeroporto ficou fechado por menos de oito horas, das 23h30 de terça-feira às 7h de quarta-feira, o que causou o desvio de voos.

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Seja qual for a causa, ainda de acordo com a especialista, o problema representado pelos drones e pelos sistemas criados para neutralizá-los provavelmente só vai piorar. E como se trata de um problema que exige a colaboração de burocracias militares e civis de diversas agências, a solução não será fácil.

— Mas precisamos fazer isso agora, pois, em algum momento, pode haver drones armados cruzando a fronteira em direção a civis ou instalações militares dos EUA. E quando isso acontecer, não haverá tempo para descobrir o que fazer — concluiu.