Argentina que respondia por racismo no Rio é recebida por ex-ministra de Milei, símbolo da direita: 'Obrigado por tudo'

 

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A advogada e influenciadora Agostina Páez, argentina que imitou um macaco para funcionários de um bar em Ipanema no início do ano, retornou ao país de origem na última quarta-feira. Ré em um processo por injúria racial na Justiça fluminense, ela só conseguiu fazer a viagem graças à retirada da tornozeleira eletrônica que usava, após pagamento de fiança de R$ 97 mil. Sua chegada a Buenos Aires, além de falas polêmicas — se disse "inimiga número 1 do Brasil" e afirmou que brasileiros "tratam mal" os argentinos —, contou com abraços e flores no aeroporto. Ela também posou ao lado da senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, uma das representantes da direita do país.

Caso Agostina Páez: após pagar fiança de R$ 97 mil, argentina acusada de injúria racial tem tornozeleira retirada no Rio

Após meses: Argentina acusada de racismo no Rio retorna a Buenos Aires após retirada da tornozeleira

Moradora de Santiago del Estero, Agostina chegou ao aeroporto Jorge Newbery, na capital argentina, depois das 19h de quarta-feira. No dia seguinte, foram vários os registros compartilhados em sua conta no Instagram, onde reúne 68,5 mil seguidores, entre abraços, pose com o cachorro e os amigos, assim como uma selfie ao lado de Bullrich: "Obrigado por tudo" ("Gracias por todo"), escreveu à senadora.

'Gracias por todo', escreve Agostina Páez a Patricia Bullrich

Reprodução / Instagram

Pelo seu perfil pessoal, Bullrich, que também concorreu à presidência argentina em 2023, compartilhou seu encontro com Agostina "antes de voltar para casa e ficar com a família". Na publicação, a senadora elogiou o "grande trabalho" dos advogados que conseguiram que Agostina deixasse de cumprir medidas cautelares, acompanhado do "apoio inabalável de sua família e o respaldo do governo".

'Eles tratam os argentinos mal', diz advogada acusada de racismo no Rio ao chegar em Buenos Aires

"Hoje só existe uma coisa importante: que está aqui", escreveu Bullrich, que ainda posou para uma selfie ao lado de Agostina, onde escreveu: "Aproveite os amigos e a família". Em vídeo gravado com Agostina, Bullrich ainda afirmou que o juíz do Rio, em decisão que beneficiou a advogada argentina, "disse que tinham feito tudo errado".

Depois de ouvir de Agostina que os seus dias "pararam por três meses", Bullrich ainda aconselhou: "Você viveu uma experiência que irá fortalecê-lo na vida".

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Prisão, tornozeleira e habeas corpus

Agostina Páez usava a tornozeleira eletrônica desde 21 de janeiro, quando passou a responder a processo por injúria racial no Brasil. Na ocasião, ela havia começado a ser investigada após imitar um macaco na frente de um bar em Ipanema, em gestos direcionados a funcionários do estabelecimento. O caso ganhou repercussão, à época.

Turista argentina é acusada de gestos racistas em bar da zona Sul do Rio

Em fevereiro, a Polícia Civil do Rio chegou a prender a estrangeira em um apartamento alugado em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste carioca, mas o mandado de prisão foi revogado pela Justiça fluminense horas depois.

A turista argentina Agostina Paez na delegacia, quando foi presa, no início do ano

Domingos Peixoto / Agência O Globo

No início desta semana, na segunda-feira, o caso teve uma reviravolta: o juiz Luciano Barreto Silva, do Tribunal de Justiça do Rio, concedeu habeas corpus à argentina e criticou a manutenção das medidas cautelares pela primeira instância, mesmo com o avanço do processo. A decisão foi interpretada como um revés ao juízo original e obrigou a revisão das restrições impostas.

O magistrado determinou ainda o pagamento de 60 salários mínimos, além da remoção da tornozeleira (retirada na terça-feira) e comunicação à Polícia Federal, para que a ré fosse autorizada a deixar o país, como acabou acontecendo.

No último dia 24, uma audiência de instrução e julgamento foi realizada na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, com presença da argentina acusada e de três pessoas ofendidas por ela.