Arbitragem brasileira terá ranking e metas para seguir no quadro profissional

 

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A CBF inicia em março o programa de profissionalização da arbitragem no futebol brasileiro, com contratação de 72 árbitros e implementação de um modelo de avaliação por desempenho, que pode resultar na permanência ou desligamento do quadro ao fim da temporada. A iniciativa, inédita no país, foi detalhada em entrevista ao CBN Esportes por Netto Góes, presidente do Grupo de Trabalho da Arbitragem da CBF.

Segundo ele, a entidade já enviou convites oficiais aos profissionais selecionados e estabeleceu prazo para adesão ao novo modelo. O programa envolve 20 árbitros centrais, 40 assistentes e 12 árbitros de VAR, que passarão a receber uma remuneração fixa, com variáveis ligadas à performance.

De acordo com Netto Góes, o principal diferencial está no acompanhamento integral e na criação de uma estrutura de suporte semelhante à dos clubes.

“A profissionalização vai muito mais além do que apenas uma remuneração. A cultura que a CBF quer propor é ter realmente um corpo técnico muito preparado”, disse.

Entre as medidas, estão o uso de tecnologias como GPS e smartwatches para monitoramento físico, além de exames cognitivos e avaliações de comunicação e tomada de decisão.

O modelo prevê ainda que os árbitros de vídeo atuem com exclusividade na cabine. A ideia, segundo ele, é melhorar a padronização e reduzir divergências de interpretação, especialmente em lances analisados pelo vídeo.

O árbitro Paulo Cesár Zanovelli , durante partida entre o Coritiba contra o Bragantino válida pelo Campeonato Brasileiro

Edson De Souza/Thenews2/Agência O Globo

A profissionalização também será acompanhada por um sistema de avaliação e ranking, com possibilidade de saída do quadro profissional ao fim do ano.

“A lista inicial é uma lista fluida. No término da temporada, essa métrica vai definir se esse árbitro se mantém na categoria pró ou sai dessa categoria pró e tem seus contratos rescindidos”, explicou.

O dirigente afirma que o mecanismo abre espaço para ascensão de árbitros de outras divisões e aumenta a transparência. “Dá uma justificativa de escalas e uma linguagem mais transparente com os clubes”, completou.

Durante a entrevista, Netto Góes também destacou que o sucesso do programa depende de mudança cultural no futebol brasileiro, incluindo colaboração de clubes e federações. “É importante frisar que vai depender de uma colaboração clara dos clube. A gente precisa deixar o árbitro trabalhar, deixar ele tomar decisão, ter clareza e tranquilidade”, disse.

E o impedimento semiautomático?

Sobre tecnologia, ele afirmou que a CBF trabalha para implementar o impedimento semiautomático ainda no primeiro turno do Brasileirão, mas sem data fechada. “A gente espera que ainda nesse primeiro turno a gente consiga ter de forma protocolar”, afirmou, ressaltando que testes precisam ser repetidos para evitar falhas.