'Aqui Gaza': Conheça rádio independente que estreia quer ser 'voz do povo' em meio à devastação da guerra
De um pequeno estúdio na cidade de Deir el-Balah, a voz de Sylvia Hassan ecoa por toda a Faixa de Gaza. Ela é apresentadora da recém-criada “Aquí Gaza”, uma das primeiras emissoras do território palestino a retomar as transmissões após mais de dois anos de guerra.
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Instalada em uma sala bem iluminada, Hassan conduz o programa enquanto a equipe técnica ajusta níveis e trilhas na mesa de som. A rádio surge em um contexto de destruição generalizada, crise humanitária e colapso das infraestruturas básicas da região.
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“Esta emissora foi um sonho pelo qual trabalhamos durante longos meses e, às vezes, sem dormir”, disse Hassan à AFP. “Foi um desafio para nós e uma história de resiliência”, ressaltou.
Apresentada como independente, a emissora pretende concentrar sua programação em temas sociais e na situação humanitária da Faixa de Gaza, que segue grave apesar do frágil cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre Israel e o movimento islamista Hamas, em vigor desde outubro.
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“O objetivo da emissora é ser a voz do povo na Faixa de Gaza e expressar seus problemas e sofrimentos, especialmente após a guerra”, afirmou Shereen Jalifa, integrante da equipe de transmissão. “Há muitas questões que as pessoas precisam expressar”, acrescentou.
População deslocada e crise humanitária persistente
Com mais de dois milhões de habitantes, a maior parte da população de Gaza foi forçada a se deslocar ao menos uma vez devido aos bombardeios incessantes da aviação e da artilharia israelenses. Dezenas de milhares de pessoas ainda vivem em tendas, com pouca ou nenhuma higiene.
A guerra também devastou as infraestruturas de telecomunicações e energia elétrica do território, agravando os desafios para a retomada do cenário midiático local.
“O problema da eletricidade é um dos mais sérios e difíceis na Faixa de Gaza”, explicou Jalifa. “Temos energia solar, mas às vezes não funciona bem, então precisamos recorrer a um gerador externo.”
Financiamento europeu e transmissões limitadas
O lançamento da rádio conta com financiamento da União Europeia e supervisão da organização Filastiniyat, que apoia mulheres jornalistas palestinas, além do centro de mídia da Universidade Nacional An Najah, em Nablus, na Cisjordânia ocupada.
A emissora planeja transmitir duas horas por dia a partir de Gaza e ampliar a programação com conteúdo produzido em Nablus. O sinal está disponível em FM e também pela internet.
A Faixa de Gaza, pequeno território cercado por Israel, Egito e o Mar Mediterrâneo, está sob bloqueio israelense desde antes de o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 desencadear a guerra. Apesar do cessar-fogo, Israel mantém controle rigoroso sobre a entrada de bens e pessoas na região.
“Sob o cerco, é natural que o equipamento moderno necessário para a radiodifusão não possa entrar, então aproveitamos ao máximo o que está disponível”, afirmou Jalifa.
