Aproximação entre presidente da CBF e Neymar pressiona Ancelotti e gera incômodo na seleção

 

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A poucos meses da convocação final para a Copa do Mundo, a relação mais próxima entre o presidente da CBF, Samir Xaud, e o atacante Neymar tem criado um ambiente de pressão para o técnico Carlo Ancelotti e gerado incômodo nos bastidores da seleção brasileira.

Apesar de não haver brecha para interferência no trabalho do treinador, Samir tem estreitado laços pessoais com o jogador do Santos, com direito a telefonemas e "resenhas" que dão à comissão técnica a sensação de que o presidente gostaria de ter o astro convocado de volta para defender as cores do Brasil no Mundial.

Segundo o blog apurou, os contatos extraoficiais aconteceram algumas vezes. Na última, Samir ligou para pedir desculpas a Neymar pelo fato de o perfil do Brasil nas redes sociais não ter parabenizado o camisa 10 em seu aniversário.

No ano passado, Neymar ligou para o presidente para reclamar de um árbitro do jogo contra o Flamengo. Na ocasião, Samir chamou atenção do chefe de arbitragem, Rodrigo Cintra, e depois telefonou para Neymar para dar satisfação, dizendo que "resolveu" o assunto.

Há uma leitura interna na CBF de que o mandatário quer ser parte das "resenhas" e ter “relação” com Neymar. Outra visão é que Samir não quer ficar mal com o atacante diante dos questionamentos sobre sua presença na seleção.

Essas atitudes incomodam ainda mais pois vão de encontro ao que Ancelotti prega desde sua chegada. Nas últimas convocações, o italiano deixou claro que o craque precisa estar bem fisicamente e merecer ser chamado pelo que mostrar em campo.

Relatos dão conta que Samir Xaud tem vivido essa fase "boleira" cada vez mais. Além de postagens nas redes em datas Fifa e amistosos, há preocupação em incluir a agenda com atletas e comissão técnica em meio aos compromissos políticos. Em fevereiro, o meio-campista Bruno Guimaraes esteve na sede da CBF e almoçou com a equipe de Carlo Ancelotti para alinhar o tratamento de uma lesão na coxa esquerda. Samir desmarcou algumas pautas só para estar presente.

Em nota enviada ao GLOBO, a CBF reforçou que "a autonomia da comissão técnica da seleção brasileira é absoluta" e que "todas as decisões relacionadas a convocações, estratégias e aspectos técnicos são de responsabilidade exclusiva da equipe comandada por Carlo Ancelotti, cuja independência é integralmente respeitada pela instituição".