'Aprovação do governo explica desempenho eleitoral de Lula nos estados', diz diretor do Instituto Quaest

 

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Foi divulgada nesta quarta-feira (6) uma edição da pesquisa Quaest com as intenções de voto para presidente, coletada em dez estados brasileiros. Em entrevista ao Ponto Final CBN, durante o Viva Voz, com Vera Magalhães, o cientista político e diretor do Instituto Quaest, Felipe Nunes, fala sobre as principais informações que pode ser elucidadas com a pesquisa.

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“O principal insight que a pesquisa traz é que a aprovação do governo explica boa parte do desempenho eleitoral que Lula tem nos estados. Se fizermos uma comparação, Lula vai bem e tem boa vantagem no Nordeste e no Pará, enquanto Flávio Bolsonaro, no Brasil inteiro, reproduz a força da direita no Sul, em São Paulo, no Rio e em Goiás, que é o estado do Centro-Oeste. Mas a aprovação não explica tudo”, elucida.

Nesta edição, a pesquisa foi feita em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco, Ceará e Pará.

Em Minas Gerais, estado tido como peça-chave para a eleição, a rejeição ao presidente Lula supera a aprovação. Com 40% de potencial de votos no estado, sua rejeição é de 57%. No entanto, o atual presidente ainda está numericamente à frente de Flávio na região, que figura com o mesmo percentual de rejeição, mas com 35% de intenção de voto.

“Lula é praticamente conhecido por todo mundo e Flávio ainda tem 10% que não conseguem opinar sobre ele, o que está diminuindo seu potencial de voto no Estado. É preciso ver como os mineiros independentes, que não estão necessariamente ligados à polarização, vão avaliar o desempenho de Flávio daqui para frente”, explica.

Se em Minas Gerais Lula está à frente do senador Flávio Bolsonaro, o cenário mostra-se diferente em São Paulo. Enquanto a rejeição do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro figura em 53%, a do atual presidente está em 63%.

Para elucidar os dados, o cientista político relaciona a atual situação com os as eleições de 2018, cujo segundo turno foi disputado entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, e 2022, disputado entre Lula e Bolsonaro:

“Em 2018, Bolsonaro saiu de São Paulo contra Haddad com uma distância enorme de 68%. O Lula se recupera e melhora o desempenho do PT em 2022, com 45% no segundo turno em São Paulo. Agora, sua intenção de voto está em 43%, algo muito próximo numericamente da anterior. Pensando do ponto de vista estatístico, está na margem de erro. Bolsonaro, na época, já era conhecido. Mas seu filho Flávio, que acabou de ser apresentado, começa a disputa numericamente melhor que ele, com 57%. A mudança pode ser decisiva, já que é o maior colégio eleitoral do país”, diz.

Os números são provenientes de pesquisas feitas pela Quaest em 10 estados entre os dias 21 e 28 de abril. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para São Paulo e 3 pontos para os demais estados pesquisados. No total, foram feitas 11.646 entrevistas presenciais face a face.