Aprenda a olhar os frutos mesmo quando eles ainda não podem ser vistos
“Um semeador saiu a semear...” Lucas 8
Plantei um pequeno pé de acerola e, naturalmente, como todo semeador urbano, minha expectativa era ser presenteado com muitos frutos na estação seguinte.
Passou um ano. Depois outro. E mais outro. Seis anos se passaram!
A aceroleira cresceu vigorosa, ultrapassou os dois metros de altura, exibiu folhas fortes, galhos firmes e uma beleza admirável. Mas fruto que é bom… nada.
No sexto ano de vida, ela me presenteou com uma única acerola. Sim, apenas uma!
Confesso que fiquei irritado! Para minha vergonha, não fosse a sensatez de minha esposa, eu teria eliminado a árvore naquele mesmo dia, movido por minha impaciência, insensibilidade e absoluta incapacidade de respeitar o tempo do processo.
Teresa de Ávila escreveu em sua conhecida oração:
“ Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo alcança.”
Este ano seria apenas mais um ano frustrante para minha “inútil” acerola, não fosse a surpresa inesperada.
Ela finalmente frutificou! E frutificou abundantemente.
Centenas de acerolas. Frutos lindos, fortes, generosos e deliciosos. Durante meses, tomei suco natural colhido do quintal da minha própria casa.
Quantas vezes desistimos de pessoas, projetos, relacionamentos e até de nós mesmos apenas porque os frutos ainda não apareceram?
Vivemos a era da velocidade, dos resultados instantâneos e da ansiedade permanente.
Sei que, por vezes, a ausência de frutos visíveis nos coloca em xeque. Faz-nos duvidar de nós mesmos, dos outros e até da própria esperança.
Aprenda a olhar os frutos mesmo quando eles ainda não podem ser vistos pelos olhos físicos, porque algumas das colheitas mais importantes primeiro amadurecem invisivelmente — até que um dia florescem diante dos olhos da fé.
Boa semeadura e bons frutos!
