Apple watch: recurso para detectar sinais de hipertensão chega ao Brasil

 

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Após lançar recursos capazes de medir o nível de oxigenação do sangue, identificar distúrbios associados a apneia do sono e gerar eletrocardiogramas, a Apple dá um novo passo em sua estratégia de apostar em serviços de saúde com a chegada ao Brasil, nesta terça-feira, do sistema que detecta sinais de hipertensão em seus relógios.

Em entrevista ao GLOBO, Adam Philips, médico cardiologista da área de Saúde da Apple, explica que a estratégia da companhia é investir em soluções para identificar sinais de doenças assintomáticas. O recurso no Brasil foi aprovado pela Anvisa.

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O novo recurso de hipertensão analisa a pressão sanguínea através de um sensor cardíaco óptico presente nos relógios, que capta os dados e avalia como os vasos sanguíneos de um usuário respondem aos batimentos cardíacos durante um período de 30 dias. Depois desse período, o usuário é notificado se algum sinal de hipertensão crônica ou pressão alta for detectado.

— Grande parte da nossa saúde ainda é invisível até para nós mesmos. O foco é continuar oferecendo notificações inteligentes, métricas e ferramentas que capacitem as pessoas a viver de forma mais saudável. Uma das maiores barreiras é simplesmente não saber como você está. E é aí que um recurso como o de hipertensão entra, atendendo exatamente a esse propósito. Acreditamos que ele ajudará mais de um milhão de pessoas já no primeiro ano. Hoje cobrimos 18 áreas diferentes da saúde — diz Philips.

Apple Watch: medidor de hipertensão é lançado no Brasil

Bruno Rosa

A hipertensão é o principal fator de risco de ataque cardíaco, AVC e doença renal, afetando aproximadamente 1,3 bilhão de adultos em todo o mundo, segundo a Apple. Cerca de 40% das pessoas vivem com hipertensão sem saber. O recurso já funciona em 150 países, como Estados Unidos e em nações da Europa. Além do Brasil, a Apple lança hoje na Austrália, Colômbia, Indonésia, Malásia e Turquia.

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O sistema funciona por meio de algoritmos que foram projetados para analisar como os vasos sanguíneos respondem aos batimentos do coração por meio de estudos com mais de 100 mil participantes de variados perfis e regiões.

— Na prática, o sistema pode avisar ao usuário sobre uma condição que estava silenciosa em segundo plano e que precisa ser conhecida. Continuaremos trazendo recursos inteligentes de saúde. Esse tipo de notificação permite iniciar o tratamento e evitar um AVC. Nos relógios, o recurso passa a funcionar automaticamente, em segundo plano. Não há calibração nem configurações complicadas. Usamos o sensor óptico de frequência cardíaca para analisar como os vasos sanguíneos respondem aos batimentos do coração. O modelo utiliza múltiplas informações ópticas para entender esses padrões — explica Philips.

A aposta em recursos de saúde é uma das principais estratégias das empresas de tecnologia, como Samsung, Motorola e Huawei. Para o consultor em tecnologia João Fernandes Bittencourt, há uma verdadeira disputa entre os fabricantes para buscar mais recursos de forma a atrair mais usuários.

— Hoje, as companhias sabem que é preciso agregar mais funções aos seus acessórios, sejam relógios ou anéis, por exemplo. Estamos em uma fase de evolução ainda, com a inteligência artificial ajudando a ampliar a confiabilidade das análises. O principal recurso das companhias é permitir que o usuário tenha um acompanhamento e consiga identificar ou antever problemas. Mas ainda há muito a fazer — destaca ele.

Além disso, o usuário também pode incluir os dados de pressão de forma manual para municiar o médico com mais informações. Para isso, foi criada uma nova seção dentro do aplicativo “Saúde”, orientando o usuário sobre como fazer as medições, seja ao acordar ou antes de dormir. Como as informações são criptografadas dentro do dispositivo, o usuário precisa autorizar o compartilhamento dos dados com terceiros. O recurso é indicado para quem ainda não sabe que sofre de hipertensão.

— O principal objetivo desse recurso é gerar conscientização em uma população que ainda não sabe que tem a condição. O sistema foi treinado com dados de pessoas que não tinham o diagnóstico. Além disso, quando uma pessoa já está em tratamento para hipertensão, ela pode estar usando medicamentos que alteram a dinâmica dos vasos sanguíneos, tornando esses sinais diferentes dos observados em pessoas sem diagnóstico — ressalta o médico.

Hoje, os relógios contam com diferentes sensores que avaliam o nível de oxigenação do sangue e a frequência cardíaca ao longo do tempo, por exemplo. Há ainda acelerômetros que conseguem captar micromovimentos no pulso e, com algoritmos treinados, identificam os diferentes estágios do sono e distúrbios respiratórios associados à apneia. A notificação de hipertensão é compatível a partir da linha de relógios Apple Watch Series 9 e o Apple Watch Ultra 2.