Apple perde mais talentos em IA, incluindo um executivo da Siri
A Apple perdeu pelo menos mais quatro pesquisadores de inteligência artificial nas últimas semanas, além de um alto executivo da Siri, com os profissionais indo para empresas como Meta e Google DeepMind.
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As saídas mais recentes incluem Yinfei Yang, Haoxuan You, Bailin Wang e Zirui Wang. Yang saiu para fundar uma nova empresa, enquanto You e Bailin Wang se juntaram à Meta, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
You foi para o braço de pesquisa em Superinteligência da empresa, e Bailin Wang está trabalhando nos sistemas de recomendação da Meta, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as movimentações ainda não foram anunciadas.
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As saídas ressaltam a turbulência contínua dentro da divisão de IA da Apple. A empresa tem enfrentado dificuldades para acompanhar os concorrentes na corrida da inteligência artificial, e a decisão de terceirizar parte da tecnologia para o Google, da Alphabet, irritou funcionários. Nos últimos meses, a companhia sofreu um êxodo de talentos, especialmente em suas equipes de IA.
No caso de Zirui Wang, o pesquisador está se juntando ao Google DeepMind, que está ajudando a Apple a desenvolver os modelos centrais de IA que irão impulsionar novos recursos. Isso inclui a tecnologia que sustenta uma versão aprimorada do assistente de voz Siri, com lançamento previsto para este ano.
Em outro desdobramento que não havia sido divulgado anteriormente, o executivo da Apple Stuart Bowers também deixou a empresa para ir para o Google DeepMind. Ele era um dos executivos mais experientes da companhia trabalhando na Siri.
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Bowers havia sido um dos principais líderes do projeto fracassado de carro autônomo da Apple antes de se tornar um dos gestores responsáveis por reverter a situação do assistente de voz da empresa.
No ano passado, ele assumiu um papel ampliado, trabalhando na capacidade do Siri de entender como responder a um usuário. Nessa função, ele se reportava ao novo chefe do Siri, Mike Rockwell.
Porta-vozes da Apple, do Google e da Meta se recusaram a comentar.
Mesmo investindo bilhões: Meta tem dificuldade para atrair talentos em IA
Os desafios da Apple em IA contribuíram para a queda das ações da empresa neste ano — mesmo com as vendas atingindo novos patamares. Na quinta-feira, a companhia divulgou resultados financeiros expressivos, incluindo mais de US$ 85 bilhões em vendas de iPhones.
Ainda assim, a falta de avanços relevantes em IA e a contínua perda de talentos de alto nível continuam sendo um peso significativo, complicando os esforços da empresa para promover uma recuperação.
As deserções ocorrem após uma grande reorganização dos esforços de IA da Apple no ano passado. O diretor-executivo Tim Cook retirou o veterano chefe de IA John Giannandrea de suas funções e transferiu a responsabilidade para o chefe de software, Craig Federighi.
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A Apple também contratou Amar Subramanya, ex-executivo de IA do Google e da Microsoft, para supervisionar partes da organização.
As saídas recentes vieram da equipe de Foundation Models da Apple, ou AFM, que desenvolve a tecnologia subjacente à plataforma Apple Intelligence. O grupo tem enfrentado um escrutínio crescente após repetidos atrasos no novo Siri e uma recepção morna aos recursos atuais de IA da Apple.
Durante o verão nos EUA, a equipe perdeu seu ex-líder, Ruoming Pang, para a Meta. Agora, ela é comandada pelo pesquisador de IA Zhifeng Chen.
Até o fim do ano passado, a equipe AFM era supervisionada pela ex-executiva do Google Daphne Luong. Ela foi deixada de lado junto com Giannandrea e permanece na Apple se reportando a ele, sem responsabilidades operacionais. Chen e as equipes de pesquisa e testes de IA da Apple agora se reportam a Subramanya.
A empresa está preparando duas novas versões do Siri. Uma é uma atualização de curto prazo que usará dados pessoais para responder a consultas. A outra é uma reformulação mais ambiciosa, prevista para mais tarde neste ano, construída em torno de uma interface no estilo chatbot.
Ambas as versões rodarão em uma nova arquitetura alimentada por modelos desenvolvidos pela equipe do Google. A Apple perdeu bem mais de uma dúzia de pesquisadores de IA nos últimos seis meses, com muitas saídas decorrentes da decisão da empresa de terceirizar parte de sua tecnologia.
Questionado na quinta-feira sobre por que a Apple optou por usar o Google, Cook disse que isso forneceria “a base mais capaz” para os modelos de IA da Apple.
“Acreditamos que podemos destravar muitas experiências e inovar de forma fundamental por meio da colaboração”, disse ele durante uma teleconferência com analistas após a divulgação de resultados.
A empresa continua a confiar em seus próprios modelos para recursos do Apple Intelligence executados no dispositivo. E é improvável que dependa de parceiros externos indefinidamente, considerando a competitividade da corrida pela IA e a necessidade de oferecer uma experiência única.
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