Apple e Intel fazem acordo preliminar para fabricação de chips nos EUA
A Apple realizou discussões exploratórias sobre usar a Intel e a Samsung para produzir os principais processadores de seus dispositivos nos Estados Unidos, um movimento que ofereceria uma alternativa ao seu parceiro de longa data, a Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSMC).
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A fabricante do iPhone e do iPad manteve conversas iniciais com a Intel sobre a possibilidade de utilizar os serviços de fabricação de chips da companhia, segundo pessoas familiarizadas com as discussões. Ao mesmo tempo, executivos da Apple fizeram visitas a uma fábrica da Samsung em construção no Texas, que também produzirá chips avançados.
Nenhuma das iniciativas resultou, até o momento, em encomendas, e o trabalho com ambas as fornecedoras continua em estágio preliminar, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as negociações são privadas. A Apple tem preocupações em usar tecnologias que não sejam da TSMC e pode acabar não avançando com outro parceiro, acrescentaram.
Representantes da Apple, Intel, Samsung e TSMC se recusaram a comentar.
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As ações da Intel dispararam até 12% em Nova York nesta terça-feira, atingindo um novo recorde, na maior alta intradiária em quase uma semana. Por volta das 9h48 no horário de Nova York, os papéis subiam 10%, para US$ 105,42. A ação já acumula valorização superior a 180% neste ano, acrescentando mais de US$ 340 bilhões ao valor de mercado da companhia.
As ações da Apple avançavam 0,8%. Os mercados sul-coreanos, onde a Samsung é negociada, estavam fechados na terça-feira.
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Há mais de uma década, a Apple projeta seus próprios processadores principais — conhecidos como systems-on-a-chip (SoCs) — e depende da TSMC para fabricá-los usando os processos mais avançados de produção em Taiwan. Os modelos mais recentes de iPhones e Macs utilizam a chamada tecnologia de fabricação de 3 nanômetros.
Mas nem mesmo a Apple, uma das maiores compradoras de semicondutores do mundo, está imune a interrupções na cadeia de suprimentos. As recentes escassezes foram impulsionadas pela expansão massiva de data centers de inteligência artificial e pela demanda acima do esperado por Macs capazes de rodar modelos de IA localmente. Isso, em parte, reforça a necessidade de a Apple considerar fornecedores adicionais.
Executivos da Apple discutiram o problema durante a divulgação de resultados trimestrais da empresa na semana passada, afirmando que a falta de chips para iPhones e Macs estava limitando o crescimento. “Temos menos flexibilidade na cadeia de suprimentos do que normalmente teríamos”, disse o CEO Tim Cook.
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Encontrar fornecedores alternativos, porém, não é tarefa simples. Intel e Samsung ainda não conseguem oferecer com confiabilidade o mesmo nível de produção e escala que transformou a TSMC na principal fabricante terceirizada de chips do mundo — e em uma das parceiras mais críticas da cadeia de suprimentos da Apple.
Para a Intel, conquistar clientes externos para sua produção de chips é peça central do plano de recuperação liderado pelo CEO Lip-Bu Tan. A companhia ainda está em estágio inicial na tentativa de atrair clientes para sua divisão de fundição de chips, após fracassos anteriores. Ter a Apple como cliente representaria uma vitória enorme para Tan e poderia ajudar a atrair outros negócios.
A Samsung teve mais sucesso nessa área, mas também enfrenta dificuldades para acompanhar a TSMC e continua distante da líder no mercado de fundição. Um aval da Apple seria extremamente valioso para a companhia sul-coreana — ainda que as duas empresas concorram em smartphones e outros segmentos.
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Apple e Intel compartilham uma relação longa e turbulenta. A Intel desenvolveu e forneceu processadores para Macs entre 2006 e aproximadamente 2020, quando a Apple passou a usar chips próprios baseados na arquitetura dos iPads. Já a Samsung atuou, há mais de uma década, como parceira de fabricação dos chips desenhados pela Apple para o iPhone.
As discussões com as duas companhias começaram antes mesmo das escassezes mais recentes. Além de ajudar a reforçar o fornecimento, trabalhar com a Intel pode trazer outro benefício potencial: melhorar a relação da Apple com a administração de Donald Trump, acreditam alguns executivos. A Casa Branca intermediou um acordo incomum para investir na Intel no ano passado e vê a fabricante de chips como uma campeã nacional.
A Samsung já trabalha para ampliar a produção de componentes periféricos para iPhones e outros produtos, incluindo peças voltadas ao gerenciamento de energia dos dispositivos, informou a Apple anteriormente.
A Apple prefere contar com pelo menos dois fornecedores para qualquer componente importante, o que lhe dá poder de barganha nas negociações de preços e proteção contra interrupções. Por exemplo, utiliza diversos fabricantes diferentes para as telas de sua linha de produtos.
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Cook, que teve papel central na construção da cadeia global de suprimentos da Apple, há muito tempo alerta sobre os riscos de depender de uma única região geográfica para componentes críticos. A produção em Taiwan traz riscos específicos porque a China considera a ilha autônoma parte de seu território.
Já em 2022, Cook disse a funcionários, durante uma reunião interna, que “independentemente do que você pense ou sinta, ter 60% vindo de um único lugar provavelmente não é uma posição estratégica”, referindo-se à concentração da produção de chips em Taiwan.
Desde então, a Apple trabalha de perto com a TSMC para expandir operações em Phoenix, no Arizona, onde a fornecedora atualmente produz uma quantidade limitada de chips para a Apple em uma única fábrica. A produção está sendo acelerada, e a Apple afirmou que receberá 100 milhões de chips fabricados no Arizona em 2026.
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Ainda assim, esse volume representaria apenas uma pequena parcela dos embarques anuais da Apple, e executivos continuam preocupados com potenciais interrupções caso a China invada Taiwan.
Assim como outras empresas de tecnologia, a Apple também enfrenta escassez de chips de memória. Mas Cook afirmou que o maior desafio no momento é garantir processadores principais, os SoCs.
“A principal limitação é a disponibilidade dos nós avançados em que nossos SoCs são produzidos, não a memória”, disse Cook durante a teleconferência de resultados. Segundo ele, isso dificulta atender à demanda por produtos como o Mac mini e o Mac Studio.
“Acredito que levará vários meses para equilibrar oferta e demanda”, afirmou.
Os gargalos na cadeia de suprimentos também atingiram a linha iPhone 17 Pro. Equipes operacionais da Apple trabalham para evitar que as restrições se espalhem para outras linhas de produtos, como AirPods e Apple Watch, que utilizam tipos diferentes de processadores em relação a iPhones e Macs.
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