Após volta dos talibãs ao poder, 2,4 milhões de jovens afegãs perdem o direito de estudar; entenda - QTU Questões do Universo

Após volta dos talibãs ao poder, 2,4 milhões de jovens afegãs perdem o direito de estudar; entenda

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Cerca de 2,4 milhões de jovens afegãs estão sendo privadas do ensino secundário desde o retorno dos talibãs ao poder há cinco anos, estima a Unesco, que pediu nesta terça-feira o fim das "discriminações" no país.
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Em 2026, o número de meninas afetadas aumentou em 200 mil em relação ao ano anterior.
E, "se a proibição continuar, cerca de quatro milhões de meninas poderiam ser privadas dela até 2030", afirma a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em um novo relatório.
"Estas restrições fazem desaparecer duas décadas de avanços em termos de acesso à educação", afirma.
Quando o primeiro regime talibã caiu em 2001, em meio à ocupação dos Estados Unidos, o número de meninas matriculadas no ensino médio era muito limitado, mas chegou a um milhão duas décadas depois, ressalta a Unesco.
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"As mulheres e meninas afegãs têm direito a aprender; é um direito humano fundamental.
Têm direito a trabalhar.
Devem desfrutar de liberdade de movimento (...) sem serem obrigadas a estar acompanhadas ou vigiadas, ou sofrer proibições dentro de suas comunidades", declarou Hoda Jaberian, coordenadora de programas de educação em situações de emergência, em coletiva de imprensa.
"A Unesco condena mais uma vez as discriminações contra mulheres e meninas e pede o restabelecimento imediato e incondicional de seu direito à educação", acrescentou Jaberian, instando "o mundo a não desviar o olhar".
Lacunas na educação
Segundo a Unesco, mais da metade dos meninos e meninas em idade escolar está completamente fora do sistema educacional e mais de 90% das crianças de dez anos não sabem ler um texto simples.
O Afeganistão é o único país do mundo em que o ensino médio e a educação universitária são estritamente proibidos para meninas e mulheres, recorda a organização.
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A Unesco indica que a manutenção destas proibições pode representar uma perda de receitas estimada em 9,6 bilhões de dólares (R$ 49 bilhões, na cotação atual) até 2066 para um país que atravessa uma grave crise econômica.
Apelo de Malala
Durante a 6ª edição da Rio Innovation Week, realizada no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai concedeu entrevista à jornalista Lilian Ribeiro, da TV Globo, na terça-feira (4) e mencionou a dificuldade de acesso à educação por meninas afegãs.
— Ainda ouço histórias de meninas do Afeganistão que me dizem que até mesmo ler um livro sozinhas em casa é, para elas, um ato de resistência.
Então, quando vejo a determinação e a dedicação de outras pessoas, sinto esperança e penso: ‘Sim, temos de continuar’ — afirmou.
Malala Yousafzai no Rio de Janeiro
Reprodução/Instagram
A ativista, que venceu o Nobel da Paz em 2014, ressaltou, ainda, que cerca de 120 milhões de meninas e adolescentes em todo o mundo ainda não têm acesso à educação.

— Vemos o Talibã assumir o controle do Afeganistão e retirar direitos de milhões de mulheres e meninas, impondo um sistema de segregação de gênero.
Eles estão deliberadamente excluindo as mulheres da vida pública, impedindo-as de praticar esportes e de ter acesso à educação.
Essa questão é urgente e preocupante.
Ela importa não apenas porque precisamos proteger e apoiar as mulheres e meninas afegãs, mas também porque estamos sinalizando para meninas em toda parte que é aceitável que líderes simplesmente virem as costas — disse Malala.