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Após sucesso de 'Bebê Rena', Richard Gadd mergulha na machosfera em 'Pela metade'

Fonte: Bandeira da fonte

Com o lançamento, em 2024, de “Bebê Rena” — série que Richard Gadd escreveu e protagonizou —, o escocês de 37 anos se tornou famoso quase da noite para o dia.
A produção conquistou seis prêmios Emmy, além de outras distinções, e virou uma das séries em língua inglesa mais assistidas na história da Netflix.
— Foi uma loucura — disse Gadd sobre a obra, livremente inspirada em sua própria vida.
Na série, ele interpreta um barman e aspirante a comediante em Londres; memórias reprimidas de um abuso sexual cometido por um mentor masculino vêm à tona e se entrelaçam com o comportamento cada vez mais desequilibrado de uma cliente obsessiva (Jessica Gunning) do pub.
Poucos meses após o lançamento, Gadd começou a gravar outra série da qual é o único roteirista e também protagonista: “Pela metade” (HBO).
Ela também explora uma dinâmica disfuncional entre duas pessoas solitárias e profundamente atormentadas.
No entanto, “Pela metade” — retrato muitas vezes explosivo da raiva masculina — adota, em geral, um tom mais sombrio.
A atuação de Gadd lhe rendeu mais uma indicação ao Emmy e motivou diversas análises sobre o estado da masculinidade moderna.
Jamie Bell e Richard Gadd em 'Pela metade'
Divulgação HBO
Pessoalmente, a presença gentil de Gadd contrasta fortemente com os personagens intensos que ele interpretou nas telas.
Nesta entrevista, parte de uma série com indicados ao Emmy, ele fala sobre relacionamentos tóxicos e a política da repressão masculina.
Em 'Pela metade', Ruben e Niall compartilham um vínculo psicossexual doentio.
Por que eles não conseguem se afastar um do outro?
Niall e Ruben representam versões extremas de até onde uma relação tóxica pode chegar.
Mas acho que todo mundo conhece aquele casal — ou dupla — que faz mal um ao outro, mas não consegue se separar.
Já observei isso na vida real e conheço bem esse arquétipo.
E acho que, às vezes, quando as químicas cerebral, corporal e espiritual de duas pessoas se entrelaçam, torna-se extremamente difícil se desvencilhar.
Você perdeu peso para 'Bebê Rena' e depois ganhou massa muscular para 'Pela metade'.
Como o aspecto físico influenciou a sua atuação?
É interessante.
“Bebê Rena” é baseada na minha vida, numa época em que eu havia passado por muitos traumas físicos e mentais; lembro-me claramente de como isso afetava meu apetite.
Senti que era preciso transmitir uma certa fragilidade e vulnerabilidade.
Já com Ruben, precisava sentir como é ter aquele tipo de força física.
Estou menor agora porque não gostava de carregar aquele porte físico comigo.
Você fez da honestidade uma marca do seu trabalho.
Isso fez de você um receptáculo para segredos de estranhos?
Sim.
E tudo bem.
Sempre preciso dizer que não sou terapeuta, e acho que, às vezes, as pessoas buscam algum tipo de resposta que não posso dar.
Mas posso ouvir.
Pode ser algo intenso, e nunca dominei a arte de lidar com isso.
No auge de “Bebê Rena”, era algo que acontecia diariamente.
Fiquei surpreso com a quantidade de homens que vinham falar comigo e revelar algo que nunca haviam contado a ninguém antes.
Tem havido muita cobertura sobre a chamada 'manosfera'.
Como é ver seu trabalho sendo incluído nessa discussão?
É interessante, porque nunca parti de uma agenda social ou política.
Eu queria explorar as relações masculinas, particularmente a repressão masculina, mas, naturalmente, as pessoas acham que é uma obra política que dialoga com o nosso tempo.
Eu nunca tinha ouvido falar em “manosfera”! Prefiro que as pessoas apenas vivenciem a série e tirem dela o que precisarem.