El Niño ainda deve ganhar intensidade e permanecer forte durante o verão; previsão aponta mais chuva no Sul e efeitos distintos pelo país Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Sete tornados atingiram o Sul do Brasil em apenas seis dias, e a previsão indica que as condições favoráveis a tempestades devem continuar nos próximos meses. O El Niño ainda deve ganhar força, aumentando a preocupação com novos episódios de chuva intensa, granizo e ventanias.
Segundo a Climatempo, a sequência de temporais encontra uma região com solos já encharcados e rios acima dos níveis normais. Quando uma chuva vem logo depois da outra, há pouco tempo para a água escoar, o que pode facilitar novas cheias.
Embora influencie esse cenário, o El Niño não provoca tornados diretamente. Seu papel é tornar mais frequentes algumas das condições que ajudam a formar tempestades fortes.
A previsão da Climatempo é que o fenômeno continue ativo e muito forte durante o verão. A perda de intensidade deve ocorrer aos poucos, ao longo do outono de 2027.
O chamado Super El Niño de 2026 já atingiu anomalia recorde de +2,47 °C em outubro, segundo o último boletim do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), divulgado na terça-feira (3). O valor representa quanto a temperatura da superfície do mar ficou acima da média de referência na área monitorada.
Na última semana de outubro, a anomalia semanal chegou a +2,5 °C, também apontada como uma marca histórica. O meteorologista Leydson Dantas ressalta, porém, que a comparação entre valores mensais e semanais exige cautela, pois eles representam períodos de referência diferentes.
A OMM (Organização Meteorológica Mundial), agência da ONU para tempo e clima, também aponta uma duração prolongada: a probabilidade de persistência até fevereiro de 2027 é próxima de 100%. O episódio pode estar entre os mais fortes desde pelo menos 1950, segundo a entidade.
Isso não significa que todas as regiões terão os mesmos efeitos. Enquanto algumas áreas podem receber mais chuva, outras tendem a enfrentar tempo mais seco e temperaturas elevadas.
Parte da explicação está em uma corrente de ventos que leva calor e umidade da Amazônia para outras áreas da América do Sul. Chamada de Jato de Baixos Níveis, ela circula a cerca de 1.500 metros de altitude.
Com o El Niño, esse fluxo pode ganhar intensidade e se direcionar com mais frequência ao Paraguai, ao norte da Argentina e ao Sul do Brasil. É uma injeção de ar quente e úmido que ajuda a alimentar nuvens carregadas.
Animação mostra o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial associado ao El Niño em outubro de 2026Vídeo: NASA/Scientific Visualization Studio Quando esse ar encontra frentes frias e áreas de baixa pressão, a combinação pode dar origem a temporais com chuva volumosa, granizo e rajadas acima de 90 km/h.
Em situações específicas, também podem ocorrer microexplosões e tornados. O levantamento apresentado pela Climatempo, atualizado até as 15h de sábado (7), reúne sete ocorrências entre 2 e 7 de novembro nos três estados da região:
As confirmações ocorreram após avaliações técnicas das defesas civis ou dos órgãos estaduais responsáveis, conforme o levantamento. Tornado atinge Santo Augusto, no RS, e destelha cerca de 50 casas; é o segundo fenômeno registrado no estado em quatro diasVídeo: Reprodução/X
Para o trimestre de novembro a janeiro, as informações do quinto boletim do Painel El Niño 2026-2027 apontam maior chance de chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. O cenário é diferente em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, onde a tendência é de menos chuva que o habitual.
Nessas localidades, a falta de chuva pode prolongar ou agravar a seca. As temperaturas devem ficar acima do normal em quase todo o país, sobretudo no Norte.
Já o Rio Grande do Sul tem previsão de valores abaixo da média. No Sul, a atenção continua voltada à frequência das chuvas e à resposta dos rios.
A tendência para os próximos meses ajuda no planejamento, mas são as atualizações diárias da meteorologia e os alertas da Defesa Civil que indicam os riscos em cada município. Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil.
Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros.
Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas.
Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾
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