Após sete anos, Bombeiros encerram buscas pelas duas últimas vítimas da tragédia em Brumadinho

 

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O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou as buscas pelas duas últimas vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A informação foi publicada neste domingo pelo g1, dia em que a tragédia completa 7 anos. Essa foi a maior operação de buscas da história do Brasil. Ao todo, morreram 270 pessoas, sendo duas grávidas.

As vítimas que não foram localizadas são o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária da Vale, Nathália de Oliveira Porto Araújo.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a decisão foi tomada depois que 100% dos rejeitos despejados na área de 290 hectares atingida pelo desastre já foram examinados. A previsão é que todos os equipamentos utilizados nas buscas sejam recolhidos até a primeira quinzena de fevereiro.

Ao longo de sete anos, mais de 5 mil militares de Minas e de outros estados participaram da operação, sendo adotadas oito estratégias de buscas. Segundo os bombeiros, a última vítima do desastre a ser localizada e identificada foi Maria de Lurdes da Costa Bueno, de 59 anos, em fevereiro de 2025. Outros segmentos recuperados ainda estão em análise pela Polícia Civil de Minas.

Paralelamente ao encerramento das buscas, a Justiça Federal se prepara para o início da fase de instrução do processo criminal de Brumadinho. A partir de 23 de fevereiro, serão iniciadas as audiências para ouvir mais de 140 testemunhas de acusação e defesa, além dos 15 réus no processo que trata dos crimes de homicídio doloso e representantes da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd, acusadas de crimes ambientais.

O advogado que representa a Avabrum, Associação dos Familiares das Vítimas do Rompimento da Barragem de Brumadinho, Danilo Chammas, afirma que o início do processo é uma vitória para as famílias que esperam justiça.

"A nossa expectativa é a de que o cronograma seja cumprido sem mais percalços, que tudo que foi apurado na fase policial seja confirmado, que sejam reveladas ainda mais informações sobre a verdade do que aconteceu e que, ao final, a acusação de homicídio doloso seja confirmada com todos os réus sendo levados a júri popular", afirmou.

Segundo a Justiça Federal, as audiências só devem ser concluídas em maio de 2027 devido à complexidade do processo criminal.

Em nota, a Vale disse que, até dezembro de 2025, cumpriu 81% do Acordo Judicial de Reparação que prevê R$ 37,6 bilhões em indenizações e medidas compensatórias, como recuperação socioambiental, a garantia de abastecimento hídrico e iniciativas para diversificação econômica de Brumadinho. Sobre o início do julgamento do caso, a Vale disse que não vai comentar.

Também procurada, a TÜV SÜD manifestou solidariedade às vítimas e seus familiares. Contudo, a consultoria declara que não tem responsabilidade legal pelo rompimento da barragem e que a emissão das declarações de estabilidade foi legítima e em conformidade com a legislação aplicável e padrões técnicos.

Neste domingo, um ato será realizado no Memorial de Brumadinho para lembrar os 7 anos da tragédia e os 270 mortos.