Após ser acusado de xenofobia, Ed Motta nega preconceito e diz ser neto de baiano e bisneto de cearense: 'amplo respeito pelos nordestinos'

 

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O cantor e compositor Ed Motta prestou depoimento, na manhã desta terça-feira, na 15ª DP (Gávea). Ele é investigado por injúria por preconceito após uma confusão no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio. O episódio ocorreu na madrugada do último dia 2, depois de um desentendimento sobre a cobrança de taxa de rolha. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.

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Ed Motta prestou esclarecimentos por cerca de duas horas, acompanhado dos advogados Pedro Ivo Velloso e Thatiana de Carvalho Costa. Em depoimento, ele negou que tenha dirigido ofensas xenofóbicas a um barman do restaurante e classificou as acusações de ter chamado o funcionário de "paraíba" como "injustas" e "infundadas".

Ele afirmou que é cliente da casa há nove anos e que "jamais" ofendeu ou utilizou "palavras pejorativas" para dirigir-se ao barman ou a qualquer funcionário.

O cantor diz que as acusações são "sem fundamento" por ele mesmo ser "neto de baiano" e "bisneto de cearense", possuindo "amplo respeito pelos nordestinos".

No depoimento, declarou-se negro e gordo e afirmou que, por essas condições, repudia "qualquer tipo de preconceito".

'Camba de paraíba'

De acordo com o barman do Grado, que teria sido alvo preferencial de ofensas atribuídas a Ed Motta, o cantor começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante.

“Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele colocou uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.

O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum.

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Em depoimento, o proprietário do restaurante afirmou que Ed Motta já havia se referido anteriormente ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*” em um áudio enviado no ano passado. O material foi entregue à polícia. O empresário também relatou que o barman já havia mencionado episódios anteriores de provocações “em tons homofóbicos” quando o cantor se reunia com amigos em uma mesa próxima ao bar do estabelecimento.

Momento em que o cantor Ed Motta chega à delegacia para depor

Alexandre Cassiano

Ainda segundo o dono, após a confusão, o artista enviou novos áudios ao dono do restaurante. Em um deles, de acordo com o depoimento, o cantor afirma: “Aquele garçom que eu já havia reclamado hoje, eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele e ele não respondeu. Eu falei que ele era assim mesmo, ele é um babaca que não responde”.

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Procurada pelo GLOBO, a defesa de Ed Motta informou que "em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro". O artista reconheceu que "deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu" e as imagens demonstram "de forma inequívoca" que ele "não teve qualquer participação nos eventos em apuração", uma vez que "já havia saído do estabelecimento", encerra a nota.

Entenda o caso

Ed Motta teria feito as ofensas contra nordestinos durante a confusão envolvendo ele próprio e amigos no estabelecimento em área nobre do Rio. O episódio terminou com agressões físicas, arremesso de objetos e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho.

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A discussão começou após o grupo questionar a cobrança de taxa de rolha, valor pago para consumir vinhos levados pelos próprios clientes. Ed Motta estava acompanhado de amigos e o grupo levou sete garrafas de vinho ao restaurante. Cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.

De acordo com os responsáveis pelo Grado, o cantor normalmente não paga taxa de rolha quando frequenta o restaurante sozinho, como forma de cortesia, mas sabia que a cobrança é aplicada quando está acompanhado e mesmo assim reagiu de maneira agressiva.

Os donos do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam afirmado em nota que houve “condutas discriminatórias” durante a confusão.

“As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada”.

Segundo testemunhas e relatos encaminhados à polícia, Ed Motta também arremessou uma cadeira no salão antes de deixar o restaurante.

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Jorge Bispo/Leo Martins

Em conversa com O GLOBO, à época do ocorrido, o cantor reconheceu que se exaltou, mas negou ter jogado a cadeira contra funcionários.

— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso — disse.

Após a saída de Ed Motta, a confusão continuou envolvendo integrantes de seu grupo e clientes do restaurante.

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