Após revogação de lei que flexibiliza declaração de emergência na Bolívia, motoristas iniciam greve em La Paz

Após revogação de lei que flexibiliza declaração de emergência na Bolívia, motoristas iniciam greve em La Paz

 

Fonte: Bandeira



Os motoristas de La Paz, capital da Bolívia, iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira (27), deixando a cidade sem transporte público em meio a protestos, bloqueios e escassez até mesmo de alimentos pelas estradas fechadas.

Além da falta de transporte público, em diversos setores próximos à sede do governo, motoristas bloquearam as vias, o que também afeta a circulação de veículos.

A escassez de combustível é outro fator que contribui para o problema. Na terça-feira, a empresa estatal de combustíveis enviou 1,1 milhão de litros para La Paz e El Alto; no entanto, essa quantidade não foi suficiente para atender à demanda.

Os manifestantes denunciam que o governo boliviano não está cumprindo seu compromisso de indenizar os danos causados ​​pela gasolina instável.

Mas eles também exigem um melhor fornecimento de combustível, que tem sido afetado por protestos de agricultores e da Central Operária Boliviana, e pelo aumento dos preços de produtos alimentícios básicos.

O anúncio ocorre horas após o presidente boliviano, Rodrigo Paz, revogar a lei que tirava limites e condições ao Governo para decretar estado de emergência.

A revogação da Lei 1341 foi inicialmente aprovada no Senado no domingo (24), e o mesmo aconteceu na terça-feira (26) na Câmara dos Deputados, que sancionou as novas normas em sessão virtual.

A Lei 1341 foi revogada em meio aos bloqueios rodoviários por tempo indeterminado liderados por alguns setores, chefiados por agricultores e pela Central Operária Boliviana, que exigiam a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

O que está acontecendo na Bolívia? Entenda crise política

Manifestantes na Bolívia pedem a renúncia do presidente Rodrigo Paz.

Marvin Recinos / AFP

No final de semana , o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu a convocação de novas eleições dentro de 90 dias, em razão da intensa onda de protestos contra o governo do atual presidente.

Ele é um dos principais comandantes do grupo contra o presidente Rodrigo Paz, principal alvo das manifestações.

A Bolívia passa por uma de suas piores crises econômicas, causada por fatores como escassez de dólares, eliminação dos subsídios à gasolina e restrição de empréstimos para produtores rurais.

Rodrigo Paz, que assumiu a presidência em novembro, é alvo da pressão de sindicatos, mineiros, grupos rurais e comunidades indígenas.

As manifestações não são, no caso, por um motivo específico. Elas vieram de um momento agravado de crise no país, que desembocou diretamente no atual governo. Entre os motivos, estão a própria política, com a renúncia de Morales em 2019, além da crise econômica e disputas sociais

A situação, que já era complicada, aumentou ainda mais por conta de cortes de gastos e mudanças de subsídios anunciadas pelo governo vigente, o que gerou a ebulição social.

O custo de vida na Bolívia também é algo que vem gerando manifestações em anos anteriores, com aumento do preço dos alimentos, dificuldade na importação de produtos (o que afeta os trabalhadores do campo) e falta de combústivel.

As mudanças nos subsídios reveladas por Rodrigo Paz serviria para equilibrar as contas públicas, porém, por outro lado, gerou aumento no preço dos combustíveis.

No momento, a pressão é por medidas como aumento de salários e mudanças trabalhistas, além da renúncia do presidente.

Do outro lado, Rodrigo Paz já anunciou mudanças ministeriais e até corte do próprio salário e do gabinete como tentativa de reduzir a pressão política.