Após revés em pesquisa, Kassab diz que 'rejeição brutal' de Lula e Flávio ainda favorecem terceira via

 

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O presidente do PSD, Gilberto Kassab, minimizou nesta quarta-feira, 11, o resultado das pesquisas que mostram o trio de governadores presidenciáveis do partido patinando para tirar votos do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro. Segundo o dirigente, os levantamentos ainda não captaram o posicionamento, e a "rejeição brutal" dos líderes na corrida presidencial sugerem que uma surpresa ainda pode ocorrer até outubro.

Kassab apresenta como pré-candidatos os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta, mostra Ratinho marcando 8%, no melhor dos cenários, contra 4% das intenções de voto de Caiado e Leite. Eles foram testados separadamente, em linha com o discurso de que um deles será escolhido para representar o grupo até o dia 15 de abril a partir de uma "análise política" da direção do PSD. Ele contestou a ideia de que o cenário desautoriza o movimento.

— Somando os três, eles têm 15, o Flávio tem 18, então vai o Flávio... Não é assim, porque nenhum dos três está se apresentando como candidato definitivo. Isso é muito diferente. Na hora que tiver um candidato colocado com clareza, teremos as pesquisas retratando a realidade do momento, e o que vale é no dia da urna. Tenho confiança que essa terceira via, que é a melhor via, vai se consolidar, ocupar seu espaço, e que ela pode ganhar as eleições. A rejeição é brutal de ambos porque existe a expectativa que surja algo diferente — argumentou o dirigente.

Ato falho

Kassab, em participação num painel organizado pelo banco BTG Pactual, cometeu um ato falho ao comentar sobre os movimentos anteriores do chefe no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Indagado sobre o que o ex-ministro de Jair Bolsonaro poderia ter feito diferente para obter o aval do aliado na disputa eleitoral, ocupando o lugar de Flávio, o líder do PSD declarou que Tarcísio tinha preferência pela reeleição no estado, "mas não descartava" enfrentar Lula nas urnas em 2026.

— As pessoas não podem ser candidatas de si próprias. Ele sempre se colocou como uma pessoa que estava dando continuidade à sua gestão, mas não descartava ser candidato (a presidente). No momento em que Bolsonaro e o PL escolheram Flávio, ele entendeu, e acho que agiu corretamente — disse Kassab, contrariando declarações do próprio governador.

Tarcísio sustenta publicamente que nunca trabalhou pela candidatura presidencial e sempre declarou que a sua intenção era permanecer em São Paulo, apesar de relatos nos bastidores em sentido contrário. Outras atitudes durante o mandato, como críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em manifestação bolsonarista, e a articulação em favor do projeto de anistia aos condenados nos ataques de 8 de Janeiro, em Brasília, foram lidos pela classe política como posicionamento evidente pela vaga.

— Vamos ser claros: o Tarcísio é o melhor candidato (a presidente), por sua experiência, por governar São Paulo, por ter perspectiva de vitória mais consistente frente ao atual governo — continuou Kassab, que precisou ser provocado mais de uma vez para tratar do assunto. — As circunstâncias o levaram a não ser candidato, e estou entre aqueles que, ele não sendo candidato, entendem que precisamos de uma alternativa.

Palanques divididos

O chefe do PSD declarou ainda que não pretende cobrar a saída de ministros do governo Lula filiados à sigla, nem que as suas lideranças estaduais tenham comprometimento com o projeto presidencial capitaneado por um dos governadores do trio. Ele, por outro lado, descartou compor pessoalmente com o PT, alegando que precisa ter "coerência na vida".

— Quem os escolheu ministros (do PSD) foi o presidente Lula entre aqueles que os apoiaram (na eleição passada). Não tem porque eles ficarem ou saírem por iniciativa do partido. Eles têm a sua relação correta e transparente, não é nada oportunista. Não foram colocados por nós e nem serão retirados por nós — alegou Kassab.

Ao final, confirmou que pode ir às urnas em outubro. Nos bastidores, ele tem trabalhado pelo posto de vice-governador na chapa de Tarcísio, atualmente ocupado por um correligionário, Felício Ramuth. Os dois têm uma conversa marcada para o final do mês a fim de definir os próximos passos. Uma possibilidade discutida é a de Ramuth deixar a sigla para se viabilizar no pleito, caso seja barrado no PSD.

— Gosto de disputar eleições. Estou preparado, se surgir circunstância para disputar, não tenho nenhum problema, ao contrário, tenho motivação. Mas, não estou trabalhando para ser candidato a nada — desconversou ele.