Após remover dos arquivos, governo dos EUA libera imagem de secretário de Trump na ilha de Epstein

 

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos voltou a liberar a imagem que mostra o secretário de Comércio do governo Trump, Howard Lutnick, na ilha do criminoso sexual Jeffrey Epstein. Inicialmente, a foto tinha sido liberada dentro dos arquivos, mas foi excluída rapidamente.

Na imagem estão os dois com outros três homens não identificados. Lutnick aparece de azul atrás de Epstein.

E-mails que estavam entre os arquivos de Epstein recentemente divulgados mostraram que, em 2012, Lutnick, sua esposa e seus quatro filhos planejaram uma visita a Little St. James, uma ilha particular onde Epstein tinha uma propriedade.

Jeffrey Epstein em sua ilha ao lado de Howard Lutnick (de azul).

Reprodução

Lutnick foi convidado para almoçar em 24 de dezembro de 2012 e, posteriormente, o assistente de Epstein escreveu em nome de Epstein: 'Foi um prazer vê-lo'.

Em um depoimento no dia 10 de fevereiro ao Congresso dos EUA, ele negou ter qualquer relação com o criminoso sexual Jeffrey Epstein. A afirmação foi em uma audiência no Senado nesta terça-feira (10), em meio a pressões pela sua renúncia.

'Durante um período de 14 anos, não tive qualquer relacionamento com ele. Quase não tive contato com essa pessoa', disse.

Apesar disso, novos documentos dos arquivos do criminoso sexual revelam que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, foi sócio em diversos negócios de Epstein.

Dentro dos arquivos há assinaturas conjuntas, além de trocas de mensagens sobre ganhos em empresas. As informações foram descobertas por um levantamento da CBS News.

Em dezembro de 2012, os dois assinaram em nome de empresas de responsabilidade limitada que concordaram em adquirir participações em uma empresa de tecnologia de publicidade chamada Adfin, agora extinta.

As assinaturas de Lutnick e Epstein aparecem nas páginas do contrato. O agora secretário de Trump assina por uma sociedade de responsabilidade limitada chamada CVAFH I. Já o criminoso morto assina pela sua empresa Southern Trust Company, Inc.

Ao New York Post no ano passado, Howard Lutnick revelou que, em certo momento, morou ao lado de Epstein e que ele e sua esposa, Allison, romperam relações com Epstein em 2005, decidindo, após visitarem a casa de Epstein em Nova York: 'Nunca mais estarei na mesma sala que aquela pessoa repugnante'.

Só que os arquivos mostram uma relação posterior. Além do contrato assinado, há e-mails combinando telefonemas e bebidas e outras conversas sobre economia.

No ano seguinte, o casal e seus quatro filhos planejaram uma visita à ilha de Epstein, conforme mostram os e-mails. Lutnick foi convidada para almoçar em 24 de dezembro de 2012 e, posteriormente, a assistente de Epstein escreveu em nome dele: 'Foi um prazer vê-la'.

O contrato foi assinado quatro dias depois.

Assinaturas do secretário de Trump e Epstein nos arquivos.

Divulgação/Departamento de Justiça dos EUA

Onze dias após isso, já em 2013, Epstein pediu a um assistente que encaminhasse a Lutnick um documento relacionado à legislação de cassinos nas Ilhas Virgens Americanas, onde Epstein possuía sua ilha e mantinha diversos negócios

Um porta-voz do Departamento do Comércio disse que ele ignorou o documento, chamando de uma 'tentativa fracassada da grande mídia de desviar a atenção das conquistas do governo'.

Apesar disso, a sociedade continuou até pelo menos 2014, quando um dos acionistas da empresa de Lutnick escreve a Epstein sobre uma captação de recursos adicionais.

Quando Epstein e Lutnick concordaram em comprar participações na Adfin, já tinham se passado mais de quatro anos desde que Epstein se declarou culpado das acusações estaduais da Flórida de aliciamento de menor para prostituição e solicitação de prostituição.

O caso levantou ainda mais alegações de tráfico sexual e vitimização de meninas em uma escala muito maior, mas foi somente em 2019 que Epstein foi acusado de crimes federais, incluindo tráfico de pessoas. Ele morreu na prisão semanas após sua prisão.

Epstein parece ter tido consciência do desafio de estar publicamente que representava para as pessoas próximas a ele. E-mails mostram que, em 2017, ele concordou em doar US$ 50 mil para um jantar em homenagem a Lutnick.

'Espero que a assessoria de imprensa esteja bem', escreveu o criminoso sexual ao bilionário gestor de fundos de hedge John Paulson, um dos organizadores do jantar. Epstein recusou uma mesa oferecida a doadores desse nível, escrevendo que Lutnick poderia preencher os lugares.

O relacionamento deles continuou no ano seguinte, 2018, quando Lutnick enviou um e-mail para Epstein aparentemente reclamando de um plano de expansão para o museu de arte Frick Collection, que fica ao lado.

Lutnick alertou Epstein de que a reforma poderia 'bloquear a luz do sol e a vista'.

'Você deveria enviar uma carta. Estou enviando um advogado. Não ignore isso', escreveu Lutnick para Epstein.

Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, com Donald Trump.

Divulgação/Casa Branca