Após quatro meses foragido, ex-vice-prefeito de Itaúna volta ao Brasil e passa a cumprir prisão domiciliar
Após ficar quatro meses foragido, o ex-vice-prefeito de Itaúna, Hildebrando Canabrava Rodrigues Neto, do PL, voltou ao Brasil e iniciou o cumprimento da prisão domiciliar dentro da Operação Rejeito da Polícia Federal. Ele é um dos investigados pelo esquema de favorecimento de empresas de mineração para a exploração irregular de áreas protegidas no estado, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte.
Conforme a Sejusp, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, o político passou a cumprir a prisão domiciliar nessa segunda-feira, por ordem do Tribunal Regional Federal da 6ª Região. As medidas cautelares foram adotadas para substituir a prisão de 17 investigados após decisão do Supremo Tribunal Federal.
Segundo a Polícia Federal, Hildebrando usou a experiência que teve com a passagem pela Semad, Secretaria de Estado de Meio Ambiente, para se associar aos empresários do setor minerário. O relatório da PF afirma que o vice-prefeito teria “notório papel como facilitador jurídico e técnico nas parcerias com empresas e trânsito com órgãos públicos estaduais, além de sua atuação na prestação de contas e estruturação financeira das transações” relacionadas à exploração minerária ilegal.
No mês passado, a Câmara Municipal de Itaúna anunciou a vacância do cargo de vice-prefeito, já que o político deixou o país dois dias antes da Operação Rejeito, sem autorização do Legislativo, e não retornou no período previsto de 15 dias. Também foi feita a suspensão do pagamento do salário dele, uma vez que, segundo a prefeitura, a viagem não tinha caráter oficial e as faltas inviabilizavam o exercício do cargo.
Ainda, a Câmara chegou a criar uma Comissão Processante para cassação do então vice por abandono de função e prejuízo à imagem da administração pública. Porém, a Justiça suspendeu o processo a pedido da defesa dele, que argumentou que a regra se aplicaria apenas se Hildebrando tivesse assumido o posto de prefeito.
Sobre a prisão domiciliar, a defesa afirmou que o político se apresentou voluntariamente e que vai se manifestar em breve sobre o processo criminal.
A Operação Rejeito apura crimes ambientais, além de organização criminosa, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, foi montada uma rede envolvendo empresários da mineração e agentes públicos para fraudar licenciamentos ambientais e, como consequência, facilitar a exploração de áreas protegidas no estado.
