Após quase 20 anos de atuação, escultor de areia é afastado de praia nos EUA por citação de Mark Twain sobre distorção dos fatos; entenda

 

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Um escultor de castelos de areia conhecido e querido por frequentadores da orla de San Diego foi proibido de atuar na área da praia em frente ao Hotel del Coronado, um dos mais icônicos da cidade, após incluir uma citação do escritor Mark Twain em uma de suas obras. Bill Pavlacka, de 64 anos, construiu por quase duas décadas mini monumentos de areia no local, atraindo turistas e turistas de diferentes partes do mundo.

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Segundo Pavlacka, a decisão do hotel foi comunicada no início de fevereiro e teve como estopim a inscrição da frase atribuída a Mark Twain: “Primeiro, informe-se sobre os fatos; depois, você pode distorcê-los como quiser”. O escultor afirmou, em entrevista à Fox5, que a administração passou a analisar com mais rigor suas criações no ano passado, sobretudo aquelas com mensagens políticas, e que a citação do escritor americano foi considerada a “gota d’água”.

Confira:

O castelo sobre o qual ele citou o escritor Mark Twain, visto aqui, foi a gota d'água, disse Pavlacka

Reprodução

Mensagens, advertências e rompimento

Imagens compartilhadas pelo artista ao longo dos anos mostram castelos com citações de figuras históricas como os ex-presidentes Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln, além de obras dedicadas a feriados religiosos e à memória do ataque de 11 de setembro de 2001 ao World Trade Center. Pavlacka disse que algumas mensagens recentes incluíam frases como “Eu amo a democracia” e “Eu amo a liberdade de expressão”, que ele classificou como declarações de valores americanos.

Em nota, enviada de na quinta-feira (5), o diretor de Recursos Humanos do Hotel del Coronado, D. Bradley McPherson, informou que Pavlacka não era mais bem-vindo nas dependências do hotel. O documento afirma que a decisão se baseou em condutas que violaram políticas internas, já mencionadas em uma “segunda e última advertência” emitida em 16 de outubro de 2025. A carta determinava ainda que o escultor evitasse contato físico com hóspedes e mantivesse o conteúdo dos castelos “neutro”, sem mensagens políticas ou controversas, além de reforçar a proibição estrita do consumo de álcool na praia. McPherson acrescentou que um novo incidente envolvendo álcool teria sido relatado após o aviso, resultando em experiência negativa para um hóspede — acusação negada por Pavlacka.

Em publicação nas redes sociais, o artista afirmou que ele e o hotel “seguiram caminhos diferentes” após quase 20 anos. Disse nunca ter sido funcionário, mas prestador de serviços externo, em uma relação que considerava mutuamente benéfica. Apesar da tristeza pelo fim do vínculo, declarou-se animado com a “maior liberdade criativa” que teria a partir de então.

Após o rompimento, Pavlacka transferiu seus castelos para uma área mais ao norte da torre principal dos salva-vidas na praia. Um morador ouvido pela Fox5 afirmou que muitos estão demonstrando apoio ao escultor e que o caso pode ter sido fruto de um mal-entendido. Procurado pelo Daily Mail, Pavlacka agradeceu o apoio recebido, mas preferiu não comentar mais o assunto. Em nota, o Hotel del Coronado confirmou o encerramento da parceria a partir de 5 de fevereiro e desejou sucesso ao artista.

Mark Twain, citado na obra que motivou a controvérsia, foi o pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, um dos mais importantes escritores e humoristas dos Estados Unidos no século XIX. Autor de clássicos como As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn, Twain ficou conhecido por seu olhar crítico sobre a sociedade, o uso frequente da ironia e frases mordazes sobre política, moral e comportamento humano. Ele defendia o progresso tecnológico, a justiça social, o abolicionismo, os direitos das mulheres (como o voto feminino) e se opunha ao imperialismo, à aristocracia e à hipocrisia religiosa, usando seu humor e sátira para criticar as contradições e injustiças de sua época