Após publicação de Trump, Irã afirma que chamar Estreito de Ormuz de outro nome é 'terrível erro'
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, invocou o 'Dia do Golfo Pérsico' para se opor à ideia de nomes alternativos para as vias navegáveis da região, ao mesmo tempo em que destacou uma publicação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Araghchi afirmou que Trump usou corretamente o termo Golfo Pérsico, contrastando-o com o que descreveu como a 'versão falsa' do Pentágono.
Mas ele alertou que se referir ao Estreito de Ormuz por qualquer outro nome seria um 'erro terrível'.
Araghchi compartilhou uma imagem postada anteriormente por Trump no Truth Social, que identificava corretamente o Golfo Pérsico, mas se referia, em tom de brincadeira, ao Estreito de Ormuz com um nome alternativo.
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O Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu nesta quinta-feira (30) uma nova declaração pública, de acordo com a mídia estatal do país.
Mojtaba, que não foi visto nem ouvido desde que assumiu o cargo máximo, disse que o único lugar para os americanos no Golfo Pérsico, onde está localizado o Estreito de Ormuz, 'é no fundo de suas águas'.
A declaração foi lida na televisão estatal iraniana. A mensagem foi publicada pela agência de notícias estatal iraniana IRNA em comemoração ao Dia Nacional do Golfo Pérsico, que celebra a expulsão das forças portuguesas do Estreito de Ormuz em 1622.
Autoridades americanas acreditam que o novo líder, filho do anterior, morto em ataques israelenses e americanos em 28 de fevereiro, está gravemente ferido.
Mojtaba afirmou que um 'novo capítulo' surgiu no Estreito de Ormuz em meio ao 'fracasso vergonhoso' dos EUA.
'Hoje, dois meses após a maior campanha e agressão do mundo na região e o vergonhoso fracasso dos Estados Unidos em seu próprio plano, um novo capítulo está surgindo no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz' disse.
O líder supremo do Irã ainda afirmou nesta quinta-feira (30) que o futuro da região será livre da presença dos Estados Unidos.
'A presença de forças americanas no Golfo Pérsico é a principal fonte de insegurança'.
O Estreito de Ormuz 'despertou a ganância de muitos demônios nos séculos passados', disse Khamenei, fazendo referência a eventos históricos, incluindo a expulsão das tropas portuguesas em 1622.
Mas desde que a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã começou no final de fevereiro, os iranianos 'testemunharam com seus próprios olhos as belas manifestações da firmeza, vigilância e luta corajosa' das forças iranianas
EUA tentam criar coalização internacional para liberar navegação em Ormuz, diz imprensa americana
Barco faz manobra no Estreito de Ormuz.
SEPAH NEWS / AFP
O governo dos Estados Unidos tenta criar uma coalização internacional com diversos país para restaurar a navegação no Estreito de Ormuz. As informações são da agência de notícias Reuters e do jornal Washington Post através de telegramas do Departamento de Estado americano.
Datado de 28 de abril, na terça, o documento é assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, aprovando a criação da Constructo de Liberdade Marítima (MFC, na sigla em inglês). A iniciativa é da pasta junto com o Pentágono.
'O MFC constitui um primeiro passo crucial para o estabelecimento de uma arquitetura de segurança marítima pós-conflito para o Oriente Médio. Essa estrutura é essencial para garantir a segurança energética a longo prazo, proteger infraestruturas marítimas críticas e manter os direitos e liberdades de navegação em rotas marítimas vitais', afirmou o comunicado.
O Departamento de Estado estaria na articulação como centro diplomático entre os países e a indústria naval. Já o Pentágono serviria como coordenação do tráfego marítimo, se comunicando com as embarcações.
As embaixadas dos EUA devem transmitir a nota diplomática oralmente aos países parceiros até 1º de maio, mas não à Rússia, China, Bielorrússia, Cuba e 'outros adversários dos EUA', dizia o telegrama.
A participação poderá assumir a forma de diplomacia, partilha de informações, aplicação de sanções, presença naval ou outras formas de apoio, afirmou o texto ainda.
'Acolhemos com satisfação todos os níveis de envolvimento e não esperamos que o seu país transfira ativos e recursos navais de estruturas e organizações marítimas regionais já existentes', dizia o telegrama.
O tráfego marítimo pelo estreito, que antes transportava um quinto do petróleo e gás do mundo, diminuiu drasticamente desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro e Teerã bloqueou a via navegável.
