Após pai repetir gesto racista, defesa teme que novo caso influencie julgamento de argentina no Rio
A turista argentina Agostina Páez, advogada e influenciadora digital que foi flagrada no início do ano fazendo gestos racistas — imitando um macaco — contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio, pode ter o andamento do processo influenciado pela repercussão de um vídeo envolvendo o pai, segundo a defesa. Para a advogada Carla Junqueira, a circulação do conteúdo nas redes sociais aumenta a pressão sobre o Ministério Público e o Judiciário. A avaliação ocorre às vésperas da sentença: segundo a promotora do Ministério Público Fabíola Tardin, a decisão deve sair ainda esta semana.
A investigação teve início após um episódio ocorrido em 14 de janeiro, em frente a um bar no bairro. Na ocasião, Agostina foi filmada fazendo os gestos direcionados a trabalhadores do estabelecimento. O caso ganhou ampla repercussão e passou a tramitar com base nas leis brasileiras que tratam de crimes raciais.
De acordo com informações do processo, há um acordo em andamento para que uma eventual pena seja substituída pelo pagamento de indenização às vítimas e pela prestação de serviços comunitários na Argentina.
Em entrevista ao site infodelestero.com, a advogada de defesa afirmou que o cenário se tornou mais desafiador após a divulgação de um vídeo em que Mariano Páez, pai da acusada, aparece repetindo o mesmo gesto que motivou a investigação no Brasil. Para a defesa, embora ele não faça parte do processo, o impacto público do conteúdo pode interferir no andamento do caso.
— Sabemos que a opinião pública influenciou muito este caso — disse Junqueira, acrescentando que há receio de que a pressão leve a uma postura mais rígida por parte do Ministério Público e de juízes de primeira instância.
Do ponto de vista jurídico, a defesa sustenta que o comportamento do pai não deveria ter peso na análise do processo, já que a fase de produção de provas contra Agostina já foi encerrada. Ainda assim, a advogada admite preocupação com a reação social no Brasil.
— Nossa preocupação é como o Ministério Público vai responder às demandas por uma resposta — afirmou.
A defesa também teme um “efeito contágio”, em que decisões mais severas possam ser tomadas como forma de responder à repercussão do caso. Segundo Junqueira, isso poderia levar à necessidade de novos recursos e prolongar a tramitação.
Durante a entrevista, a advogada lembrou que o processo já sofreu reveses anteriormente em razão da exposição pública. Um acordo firmado em audiência, segundo ela, acabou sendo revertido após a repercussão do caso.
O vídeo envolvendo o pai da acusada é interpretado no Rio como uma provocação, o que, na avaliação da defesa, torna o ambiente ainda mais sensível. Pessoas próximas a Mariano Páez chegaram a sugerir que o conteúdo teria sido gerado com uso de inteligência artificial, mas a estratégia da defesa tem se concentrado em conter os danos à imagem da acusada no Brasil.
— É um caso que já era desafiador e agora é ainda mais — concluiu a advogada.
O episódio reacendeu o debate sobre racismo e ampliou a pressão pública em torno do caso, que segue em andamento na Justiça brasileira.A promotora do Ministério Público Fabíola Tardin adiantou que a sentença que envolve a turista argentina Agostina Páez, advogada e influenciadora que imitou um macaco para funcionários de um bar em Ipanema no início do ano, deve sair ainda esta semana. Ainda de acordo com a promotora, caso a ré venha a ser condenada, um acordo entre Brasil e Argentina daria o direito de a acusada cumprir a sentença no país de origem. Mas, caso isso não ocorra, ela ficaria impedida de entrar em território brasileiro até que a pena fosse concluída.
Agostina responde a um processo por injúria racial, mesmo após pagar uma caução e retornar ao país de origem. Ela só conseguiu fazer a viagem graças à retirada da tornozeleira eletrônica que usava, após pagamento de fiança de R$ 97 mil. Sua chegada a Buenos Aires foi marcada por falas polêmicas, afirmando ser "inimiga número 1 do Brasil" e que brasileiros "tratam mal" os argentinos.
Além desse fato, circula nas redes sociais um vídeo em que o pai dela, o empresário Mariano Páez, aparece imitando um macaco, gesto semelhante ao que levou à abertura de investigação contra a influenciadora.
Com a conclusão da fase de instrução processual, esses episódios envolvendo pai e filha não terão peso dentro do processo, garante a promotora. Apesar disso, ela classificou a atitude de ambos como uma “zombaria às leis brasileiras”.
—Se fosse com os Estados Unidos, será que eles teriam a mesma atitude? Ela chegou à Argentina alegando que está sendo perseguida pelo Estado brasileiro. Mas os fatos não mostram isso. Ela estava numa festa e consumiu cerca de mil reais e, na hora de pagar, se negou. Foi nesse contexto que as ofensas se deram. É uma família de classe média — contesta.
Outra questão levantada pela promotora diz respeito ao valor pago por Agostina. A caução vai direto para as vítimas do caso. E não houve, em hipótese alguma, uma facilitação para que ela saísse do país. Tardin afirma que todo o rito processual seguiu critérios técnicos.
—Esse caso ganhou repercussão internacional. Mas tudo seguiu o rito de um processo. Ela não estava numa cadeia, estava impedida de sair do país até que fossem concluídas todas as etapas antes do julgamento. E, diferente de uma fiança, em que o dinheiro vai para o Estado brasileiro, o valor pago por ela, além de mostrar o poder aquisitivo dela, vai direto para divisão entre as vítimas. Tivemos uma atuação técnica muito equilibrada — afirma.
Antes de deixar o Brasil, a advogada afirmou que viveu um “calvário” durante sua permanência no país e disse estar arrependida da forma como reagiu na ocasião. Apesar disso, negou ser racista e criticou a forma como o caso foi divulgado. Também declarou que não conhecia a severidade da legislação brasileira sobre crimes raciais e aconselhou estrangeiros a se informarem sobre as leis locais antes de viajar.
Em meio à repercussão, a advogada Agostina Páez usou as redes sociais para condenar a atitude do pai. Segundo o jornal argentino Clarín, ela afirmou ter sentido “nojo” ao ver as imagens — tradução da expressão “asco”, utilizada na publicação original — e disse não ter “absolutamente nada a ver com o que está circulando”. Na mesma mensagem, classificou o conteúdo como “lamentável” e declarou repudiar completamente a conduta exibida no vídeo, em uma tentativa de se dissociar do episódio que ampliou a crise em torno do caso.
Caso teve origem em episódio em Ipanema
A investigação contra Páez começou após um episódio ocorrido em 14 de janeiro, em frente a um bar em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Na ocasião, ela foi filmada fazendo gestos racistas, imitando um macaco, direcionados a funcionários do estabelecimento. O caso ganhou repercussão e foi enquadrado nas leis brasileiras que tratam de crimes raciais.
Segundo informações do processo, há um acordo em andamento para que a eventual pena seja substituída pelo pagamento de indenização às vítimas e pela prestação de serviços comunitários na Argentina.
