Após o 'BBB 26', Chaiany relembra origem humilde e diz que reality foi 'último fôlego de vida': 'Sou a improvável que vai mudar a vida da família'
Esqueça a xepa, o quarto branco e as provas de resistência. O que vemos nestas páginas é uma Chaiany que poucos imaginariam encontrar no Vale do Paranã, em Goiás, ou nas ruas de Ceilândia, no Distrito Federal. A ex-participante do “BBB 26” surge até acompanhada de um “cãozinho de madame” em seu primeiro ensaio fotográfico para uma revista. Nas fotos, ela brinca com o arquétipo de mulher rica, contraste gritante com a realidade que vivia há poucos meses, quando sonhava dar uma vida melhor para a filha Lara, de 9 anos.
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— O negócio é riqueza agora. Vai tomando! É difícil, pô! Mas eu vou lutar pra isso, nem que eu morra tentando... — diz ela, aos 26 anos.
O sucesso de Chaiany com o público começou ainda no início do programa. A ex-BBB, que agora tem 3,6 milhões de seguidores (até o fechamento desta edição, né?), atingiu o primeiro milhão antes de qualquer outro pipoca de sua edição. Sem o montante cheio de zeros na conta bancária do primeiro lugar do programa, Chai garante que saiu da casa com algo muito mais valioso: o “descancelamento” de sua própria família.
— Nunca sonhei com o dinheiro da final. Minha família me descancelou. Esse foi o meu prêmio: vê-los orgulhosos. Eles estão percebendo o meu lado da história, sabe? Não só que eu errei, mas que, mesmo com meus erros, cheguei ao lugar mais alto que alguém do meu jeito, com a minha vida e o meus traumas poderia ir. O “Big Brother” foi a maior porta. Eu sou a improvável que vai mudar a vida da minha família — comemora.
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Nascida em Formosa (GO), ela foi ainda bebê para São João d’Aliança (GO), onde viveu os primeiros anos de vida. Aos 3, se mudou para o Vale do Paranã, onde passou a morar numa chácara que o pai ganhou do Incra, em programa de reforma agrária que deu a terra de graça para a família.
— Meu pai conseguiu a chácara, que o pessoal chamou de fazenda de milhões (risos). Quando chegamos lá, não tinha nada, só mato. Ficamos acampados até ele conseguir fazer uma casa de barro. Vivemos nela até 2010. Começamos a construir a outra por volta de 2009. Era trabalho de roça, pô! Meu pai deixava a gente com meu avô e meu tio pra ir a Brasília montar câmara fria. Era uma correria, uma luta para vencer na vida. Meu pai conseguiu, gratidão! E eu vou fazer o quê? Eu é que não consegui — detalha.
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Enquanto estava no “BBB 26”, muitos chegaram a duvidar da pobreza de Chai. No Google, não faltam perguntas sobre a sua situação financeira.
— Não tem nada a ver! Vixe, né? Me diz como é que eu ia esconder riqueza? Meu pai trabalhou uns oito anos para conseguir comprar uma caixa usada da piscina. Era um monte de homem descendo tudo no braço, com cimento embaixo, o trem todo rachado, velho. Nossa Senhora! Mas gratidão... É nossa piscininha, entendeu? Meu pai ralou demais. Foi muita câmara fria, viajando pra lá e pra cá, trabalhando. Foi essa a nossa vida, a vida do meu pai, né? Depois que eu engravidei, eu fui pro mundão — explica.
Família mostra casa de Chaiany e afirma: 'Não é rica'
Reprodução/Instagram
Chai conta que se mudou para Ceilândia aos 15 anos por conta da gravidez precoce de Lara, que vai completar 10 em julho.
— Eu engravidei na minha primeira vez. Foi um babado muito grande. Estava numa cidade com 150 habitantes. Todo mundo me conhecia, e eu desonrei o nome da minha família. Foi bem difícil. Meu pai me tirou do Paranã e me levou pra Ceilândia. Eu atropelei tudo, não foi fácil. Perdi minha adolescência, mas ganhei minha vida inteira ao lado da Lara, meu maior milagre. Por isso, no “BBB” eu vivi a vida louca. Quando tem uma festa eu aproveito — afirma Chaiany.
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Entre o desejo de cursar Agronomia futuramente e a nova carreira como influenciadora, o foco principal permanece inabalável: a filha.
— Vou dar pra ela um mundo que eu não tive. Vou ensinar os princípios que eu aprendi: ser pé no chão, nunca humilhar ninguém, nunca puxar o tapete de ninguém. Quero muito que ela aprenda isso. Que o dinheiro nunca deve subir à cabeça de ninguém, nunca deve mudar o coração que você tem. E que eu possa, finalmente, ser mãe de verdade, com condições de estar perto — diz Chai, contando qual foi a primeira coisa que Lara disse a ela após a eliminação: — Ela falou que eu não ganhei o “Big Brother”, mas ganhei o Brasil.
Chaiany chorou de saudade da filha, Lara Andrade
Reprodução/TVGlobo
Embora mantenha as raízes fincadas no interior de Goiás, o coração de Chaiany também bate forte pela Cidade Maravilhosa:
— O Paranã é minha origem, não abandono nunca, mas não sei se vou conseguir trabalhar de lá. O Rio foi o primeiro lugar que conheci, entregando uma câmara fria com meu pai em 2015. Amo isso aqui!
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O “BBB” não era plano B. Era a maior esperança da goiana. Ela tentou entrar em 2025, junto com a irmã Maria Luiza. Não foi chamada, tentou de novo e, dessa vez, participou da casa de vidro do Centro-Oeste. Perdeu para Jordana e precisou enfrentar o quarto branco para conquistar outra vaga. Agora, Chai abre o coração sobre a sensação de “futuro perdido” que a acompanhava até então:
— A minha realidade era muito difícil. Eu trabalhava muito, ficava longe da Lara, minha filha era criada pelos meus pais, e eu me sentia uma bosta por não ter condições. O “BBB” foi meu último fôlego de vida. Não que eu fosse morrer, mas minha história ia ser assim pra sempre. Ninguém ia abrir uma porta pra mim.
Chaiany Andrade
Márcio Farias
Pois a porta foi escancarada. Querida pelo público, Chaiany se deparou com mensagens no Instagram de famosos e ex-participantes como Juliette e Gil do Vigor.
— Eles me disseram que o que eu precisar de conselho ou direção, é só ligar. Não tenho noção de nada, nem de publicidade, nem de quantos zeros tem 5 milhões — admite.
Agora, a ex-sister se vê num mundo novo: o das parcerias com grandes marcas e pedidos de fotos de fãs por onde passa.
— Estou amando, grata por viver isso. Mesmo eu tendo feito merda, velho, o povo ainda continua gostando de mim! Esse negócio de tirar foto é surpreendente. Tu tem noção? Eu sou da roça, bebê. Tem só 150 pessoas lá! Gratidão! — reflete.
Chaiany Andrade
Márcio Farias
No discurso de eliminação, o apresentador Tadeu Schmidt traçou um paralelo entre a participante e o personagem de “Gênio indomável” que se sabota por não conseguir acreditar no próprio valor. Ela concordou com tudo:
— Eu não acreditava em mim mesmo. Não tinha o que fazer, gente. Não tem como você viver de um jeito, escutar coisas ruins a vida inteira e entrar no “Big Brother” e ser outra pessoa. É um trauma. Preciso de terapia. Quando eu fiz a entrevista para entrar no programa, falei que tinha uma realidade e que o que eu postava não era o que eu vivia. Porque no Instagram eu publicava fotos bonitas e com filtro. Ali no “BBB” eu sabia que as pessoas iam me ver até no meu pior dia. E aí a minha casa ia cair, em relação à autoestima.
Solteira, Chai beijou Marciele na casa e também fora dela, após reencontrá-la no Rio.
— Gosto de tudo. Vou fazer o quê? Se eu quiser fazer, tô fazendo. Com meninas, só dei beijinhos. Nunca fiz (sexo) com mulher. Mas já tive uns sete namorados — conta ela, afirmando que não está de papo com ninguém: — Espero ter muito trabalho, oportunidades e também um macho lindo, gostosinho (risos).... Só que, se ele aparecer, vou estar muito ocupada! Agora não tenho nenhuma paquera. A fila não está grande porque nem tem fila!
Chaiany Andrade
Márcio Farias
Se a Chaiany de agora pudesse ver a de antes do “BBB 26”, o conselho seria um só:
— Falaria pra ela confiar que o impossível não existe.
