Após missão americana, China anuncia intensificação de seu programa espacial, incluindo parceria com o Brasil

 

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A recente missão Artemis II, dos Estados Unidos, reacendeu a nova corrida espacial do século XXI. No último sábado (18), a China anunciou que intensificará seu programa espacial, segundo informações divulgadas pela agência estatal chinesa Xinhua. Entre os planos da CNSA (Administração Espacial Nacional da China), está a cooperação tecnológica com outros países, entre eles, o Brasil. Em um dos comunicados, os chineses citam a CBERS (sigla em inglês para "China-Brazil Earth Resources Satellite", que existe desde 1988), sem mencionar novos projetos. O Brasil, no entanto, também coopera com a Nasa, que utilizou um tecnologia desenvolvida pela USP na última missão lunar.

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"A cooperação espacial China-Brasil é amplamente considerada um modelo de cooperação Sul-Sul no setor de alta tecnologia, com a CNSA e a Agência Espacial Brasileira assinando múltiplos planos de cooperação", ressalta o documento.

A resposta chinesa ocorre em meio ao avanço americano na exploração lunar e reforça o caráter competitivo e geopolítico da nova corrida espacial. Mas também vem às vésperas do Dia do Espaço da China, no próximo dia 24. Neste ano, a Conferência Espacial da China acontecerá de 23 a 25 de abril, tendo o Brasil como um dos convidados.

Veículo lançador chinês Longa Marcha 2F é lançado na missão Shenzhou 15, que levou 3 taikonautas à estação espacial Tiangong

You Li/The New York Times

Considerado ambicioso, o programa da China prevê, entre outros objetivos, o envio mais frequente de taikonautas (como são chamados os astronautas do país) ao espaço e a construção de uma base lunar até 2030. Pequim também tem ampliado sua capacidade tecnológica no setor. O país já conseguiu estabelecer comunicação com o lado oculto da Lua, um feito considerado complexo pela comunidade científica. A tripulação da Artemis II, por exemplo, ficou sem contato com a base por 40 minutos, ao contornar a Lua. Ela poderia, por exemplo, continuar em contato com a Terra, se usasse o satélite chinês para a comunicação.

Segundo Liu Yunfeng, vice-diretor do departamento de engenharia de sistemas da CNSA, o país realizou 92 missões de lançamento espacial em 2025, um aumento de 35% em relação ao ano anterior. Na última sexta, a China lançou o foguete Longa Marcha-4C que colocou em órbita um satélite destinado à detecção de gases de efeito estufa com alta precisão.

Imagens nas redes sociais mostram astronautas fazendo churrasco no espaço

Reprodução/Redes sociais/X

No mesmo dia, três taikonautas instalaram equipamentos de proteção contra detritos espaciais e inspecionaram os equipamentos extraveiculares da estação espacial chinesa em órbita. Zhang Lu, Wu Fei e Zhang Hongzhang estão há cinco meses em órbita, e a CNSA pretende prorrogar a missão Shenzhou-21 por mais um mês, para verificar tecnologias ligadas à permanência prolongada de astronautas em órbita.

— A China realizará missões tripuladas, incluindo Shenzhou-23, conduzirá testes de verificação de voo de vários foguetes reutilizáveis e promoverá o desenvolvimento de alta qualidade no setor espacial comercial —afirma Yunfeng.

Astronautas chineses que ficaram a deriva após colisão no espaço

Reprodução/Redes sociais/X

Em 2026, a China também pretende lançar o satélite SMILE (Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer), em uma parceria tecnológica com a Europa. O objetivo da missão é estudar e revelar os "processos de interação e padrões de evolução entre o vento solar e a magnetosfera terrestre".

No Brasil, a parceria com os chineses tem sido considerada estratégica não apenas para o avanço científico, mas também para outras aplicações práticas, como o monitoramento ambiental e o combate ao desmatamento.