Após Messias, Congresso pode impor nova derrota a Lula nesta quinta-feira (30) com PL da Dosimetria
O Congresso pode impor nesta quinta-feira (30) mais uma derrota ao presidente Lula. A partir das 10h, deputados e senadores vão decidir se mantêm ou derrubam o veto do presidente ao PL da Dosimetria.
Lula barrou o texto aprovado pelo Congresso que permitia a redução de penas dos condenados pelos atos golpistas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para derrubar a decisão do presidente, são necessários pelo menos 257 votos na Câmara e 41 no Senado.
O deputado Lindbergh Farias, do PT, criticou a iniciativa da oposição de tentar reverter a decisão do presidente e do Supremo Tribunal Federal.
Lula sinaliza a aliados que não vai enviar outro nome ao STF após rejeição de Messias
Por 42 votos a 34, indicação de Messias é rejeitada em plenário
Lula Marques/Agência Brasil
O presidente Lula sinalizou a aliados que não vai enviar outro nome ao STF após sofrer uma derrota histórica com Jorge Messias. Depois do revés sem precedentes, Lula fez uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada com Messias; outros ministros e aliados para discutir a reação.
O advogado-geral da União recebeu apenas 34 votos, 7 a menos do que o mÃnimo necessário. Quarenta e dois senadores votaram contra.
O resultado torna Lula o primeiro presidente a ter uma indicação ao STF rejeitada em 132 anos.
A desaprovação ao nome de Jorge Messias se deu em um contexto de prévia eleitoral e de escalada da crise do Congresso com o STF. A rejeição também acentuou a tensão entre o Executivo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado como o articulador da derrota de Lula.
Para barrar a escolha, Alcolumbre teria prometido à oposição só pautar uma nova indicação depois das eleições. Antes mesmo de proclamar o resultado, feito em tom de vitória, Alcolumbre chegou a antecipar o placar, falando ao pé do ouvido do lÃder do governo, Jaques Wagner.
Desde a criação do STF, em 1890, Jorge Messias foi apenas o sexto nome rejeitado pelos senadores. Todas as outras cinco indicações foram feitas pelo marechal Floriano Peixoto, em 1894.
Após ser barrado, depois de cinco meses de espera, Jorge Messias insinuou que foi prejudicado pelo presidente do Senado.
A rejeição a Messias está sendo lida como uma falha grave na articulação polÃtica do governo Lula. Mesmo com a liberação recorde de emendas na véspera da votação, a base aliada não entregou os votos necessários, expondo a fragilidade da coalizão no Senado e o abandono do Centrão.
Nas redes sociais, a ex-ministra Gleisi Hoffman disse que a derrota foi resultado de uma aliança vergonhosa no Senado. A parlamentar do PT escreveu que houve um acordão entre a oposição bolsonarista e outros grupos com objetivos eleitoreiros e pessoais, que se sentem ameaçados pelas investigações de escândalos financeiros e contra o crime organizado.
O lÃder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, lamentou que a rejeição tenha sido por motivação polÃtica e não pela qualificação técnica de Jorge Messias.
O pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, negou que tenha participado da articulação com Davi Alcolumbre para derrotar o governo. O senador disse que o resultado também é consequência da postura de ministros do STF.
Para o cientista polÃtico Rafael Cortez, apesar da derrota humilhante, Lula não deve romper imediatamente com Alcolumbre, porque precisa dele para aprovar alguns projetos. O professor também acredita que o presidente não deve indicar um novo nome ao STF antes das eleições.
