Após mais de quatro anos na prisão, ativista Javier Tarazona é libertado na Venezuela em meio à soltura de presos políticos

 

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O ativista de direitos humanos Javier Tarazona foi libertado neste domingo após quatro anos e meio de prisão, em meio a um processo lento de solturas de presos políticos impulsionado pela presidente interina Delcy Rodriguez sob pressão dos Estados Unidos. A informação foi revelada pela AFP, que ouviu o irmão do ativista.

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Javier Tarazona, diretor da ONG Fundaredes, estava preso desde julho de 2021 sob acusações de “terrorismo”, “traição” e “incitação ao ódio”. Ele era um dos presos políticos de maior destaque que ainda permaneciam atrás das grades quase um mês depois do governo interino anunciar um processo de libertações para um “número significativo” de pessoas.

A medida responde a pressões do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirma estar no comando da Venezuela após a captura do líder chavista Nicolás Maduro em uma incursão militar americana no início do ano, em Caracas.

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— Javier finalmente está livre — afirmou José Rafael Tarazona, acrescentando que o irmão foi levado para uma igreja no centro de Caracas.

À frente da Fundaredes, o ativista acusou o regime Maduro de abrigar líderes guerrilheiros colombianos na Venezuela e alertou para confrontos entre forças militares e guerrilhas na fronteira colombo-venezuelana.

Também neste domingo, a ONG Foro Penal, que lidera a defesa de presos políticos no país, informou que ocorreram várias libertações na prisão do Helicoide, onde Tarazona estava detido. Na última sexta-feira, Delcy informou que esse presídio político será convertido em um “centro social, esportivo, cultural e comercial”.

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No mesmo dia, ela também pediu com urgência ao Parlamento a aprovação de “uma lei de anistia geral que cubra todo o período de violência política de 1999 até o presente”. Espera-se que, após a aprovação desse instrumento, centenas de presos políticos obtenham liberdade plena.

O Foro Penal já verificou cerca de 400 libertações desde dezembro e alerta que aproximadamente 700 presos políticos ainda permanecem encarcerados.