Após 'linha cruzada', EUA oferecem US$ 100 milhões em ajuda a Cuba, mas exigem que Igreja Católica seja intermediária

 

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O Departamento de Estado dos EUA se disse pronto para oferecer US$ 100 milhões em ajuda a Cuba, sob bloqueio naval americano desde o início do ano, desde que a distribuição ocorra através da Igreja Católica. Antes da oficialização da oferta, Washington e Havana trocaram farpas e acusações ligadas ao pacote, e o presidente Donald Trump voltou a dizer que o país caribenho é “uma nação fracassada”.

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De acordo com comunicado do Departamento de Estado, o montante não seria transferido diretamente para os cofres do governo cubano, mas sim na forma de “assistência humanitária direta ao povo cubano, que seria distribuída em coordenação com a Igreja Católica e outras organizações humanitárias independentes confiáveis”.

“A decisão cabe ao regime cubano: aceitar nossa oferta de assistência ou negar a ajuda essencial para salvar vidas e, em última instância, prestar contas ao povo cubano por impedir o acesso a essa ajuda crucial”, acrescenta a nota.

Na semana passada, durante visita ao Vaticano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, acusou as autoridades cubanas de recusarem uma oferta de US$ 100 milhões em ajuda, que incluía, de acordo com o Departamento de Estado, apoio para o acesso gratuito à internet de alta velocidade. Em fevereiro, o governo americano enviou US$ 6 milhões em ajuda à ilha através da Cáritas, uma organização ligada à Igreja Católica.

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Contudo, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, negou que a oferta tenha sido feita pelos canais oficiais, a chamando de “fábula” destinada a “enganar o povo de Cuba e os próprios americanos”. Na terça-feira, ele retornou ao tema, afirmando que “alguém deveria perguntar ao secretário de Estado dos EUA sobre a fábula do suposto oferecimento de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária a Cuba, que aqui ninguém conhece.”

“Seria bom saber quem especificamente aportaria o dinheiro, se seria entregue em espécie para necessidades fundamentais, como combustíveis, alimentos e medicamentos, ou se seria uma entrega material e de quê e a qual empresa ou agência se comprariam os produtos”, afirmou na rede social X. ”Será uma doação, um engano ou um negócio sujo para cercear nossa independência? Não seria mais fácil levantar o cerco de combustível?”

Havana não se pronunciou sobre o novo comunicado do Departamento de Estado.

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Em paralelo à intervenção militar que culminou com a prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, o governo de Donald Trump deu início a um bloqueio naval que estrangulou o acesso de Cuba a combustíveis fósseis, com impactos generalizados na economia e na vida das pessoas. Os blecautes se multiplicaram, empresas estrangeiras reduziram ou até suspenderam voos e as autoridades adotaram medidas emergenciais.

Em abril, as Nações Unidas afirmaram que “as necessidades humanitárias no país continuam bastante agudas e persistentes”, lançando um apelo internacional. Além do bloqueio, a ONU citou que o país ainda não se recuperou dos estragos causados pelo furacão Melissa, no ano passado.

A pressão financeira, que inclui sanções a empresas estatais e lideranças locais, se soma às ameaças de Trump de uma intervenção armada em Cuba, e aos planos públicos para uma mudança de regime, algo que seus antecessores desde os anos 1960 tentam sem sucesso.

No comunicado desta quarta-feira, o Departamento de Estado diz que “segue buscando reformas significativas no sistema comunista de Cuba, que só serviu para enriquecer as elites e condenar o povo cubano à pobreza”. Na véspera, Trump afirmou em sua rede social, o Truth Social, que “Cuba está pedindo ajuda, e nós vamos conversar”, sem dar detalhes, antes de opinar que se trata de “um país fracassado que só caminha em uma direção: para baixo”.