Após levar 220 mil espectadores ao teatro, Gregorio Duvivier retorna com ‘O Céu da Língua’ em nova temporada no Teatro Casa Grande

 

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Gregório Duvivier não tem medo de poesia e, como um apaixonado, faz de tudo para persuadir os outros das qualidades do seu objeto de encanto: as palavras. No monólogo cômico “O Céu da Língua”, o artista usa o seu discurso sedutor para convencer o público de que tropeçamos diariamente na poesia e de o quanto esse assunto pode ser prazeroso e divertido. Após o sucesso em cena, o espetáculo retorna em uma temporada especial no Teatro Casa Grande, a partir de 30 de abril, com sessões às quintas, sextas e sábados às 19h e às 21h30 e domingos, às 16h e às 18h.

Para o artista, a língua é algo que nos une, nos move, mas raramente damos atenção a ela. Em expressões corriqueiras, todos acabam exercendo, ainda que sem perceber, um certo lirismo ao dizer “batata da perna”, “céu da boca” ou “pisando em ovos”. E, para provar que a poesia é popular, Gregório chama atenção para os grandes letristas da música brasileira, como Orestes Barbosa e Caetano Veloso, por meio das canções “Chão de Estrelas” (1937) e “Livros” (1997). “Os nossos compositores conseguiram realizar o sonho de Oswald de Andrade de levar poesia para as massas”, festeja o ator.

Duvivier, que desde a infância, carrega uma obsessão pela palavra, pela comunicação verbal, pela língua portuguesa, aproveita o espetáculo para comentar a ressurreição de palavras esquecidas, como “irado”, “sinistro” e “brutal”, que voltaram com novos sentidos ao vocabulário dos jovens. E aquelas que só de ouvi-las geram sensações estranhas, a exemplo de "afta", "íngua", "seborreia", ou outras, inventadas, repetidas à exaustão, como “atravessamento”, “namorido” ou “almojanta”? Até destas Gregório extrai situações cômicas e reflexões inesperadas.

“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o ator, que cursou a faculdade de Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.

Nessa relação de cumplicidade com a plateia, Gregório mostra gradativamente que a poesia não tem nada de hermética. Além de Fernando Pessoa, o ator evoca o poeta Eugênio de Andrade e lembra de que a origem de “O Céu da Língua” está relacionada ao espetáculo “Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar”. O divertido intercâmbio linguístico colocou no mesmo palco Gregório e o humorista luso Ricardo Araújo Pereira em improvisações sobre o idioma que os une.

O espetáculo estreou em Portugal em 2024, chegou do Brasil em fevereiro de 2025, onde cumpriu uma extensa turnê que já acumula cerca de 220 mil espectadores em 33 cidades do Brasil e de Portugal, sempre com sessões extras e lotação esgotada. O trabalho rendeu a Gregorio o troféu de Melhor Ator na última edição do Prêmio Bibi Ferreira e também o Prêmio do Humor de Melhor Texto e Melhor Espetáculo.

No palco, a direção teatral é de Luciana Paes, com cenografia de Dina Salem Levy, o instrumentista Pedro Aune cria ambientação musical com o seu contrabaixo, e a designer Theodora Duvivier, irmã do comediante, manipula as projeções exibidas ao fundo da cena. O resto é só o comediante e sua lábia desafiadora: “O Gregório simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregório intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta” aposta a diretora.

“O Céu da Língua” não é um recital e tampouco o artista declama Castro Alves, Fernando Pessoa ou Carlos Drummond de Andrade. Por outro lado, garante Luciana, a dramaturgia de Gregório não deixa de ser poética neste “stand-up comedy pegadinha”, como ela bem define. Não perca o espetáculo, com desconto do Clube a experiência é ainda mais especial!

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"O Céu da Língua"