Após lei da anistia, cerca de trinta presos políticos deixam prisão na Venezuela nesta segunda
Pelo menos 30 presos políticos deixaram, na tarde de segunda-feira, uma prisão nos arredores de Caracas no contexto de uma histórica lei de anistia promulgada na quinta-feira na Venezuela sob pressão de Washington, constataram jornalistas da AFP.
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— Somos livres! — gritavam vários dos libertados, com a cabeça raspada e camisas brancas, ao serem recebidos por familiares e pessoas próximas na saída da prisão de Rodeo I, a cerca de 40 km da capital.
O clima de celebração se mistura à preocupação. Cerca de 200 presos do Rodeo I aderiram a uma greve de fome para protestar contra o alcance da lei, que exclui muitos detentos vinculados a casos militares e policiais, não contemplados pelo novo instrumento.
A Justiça venezuelana já libertou cerca de 400 presos políticos em um primeiro processo de solturas anterior à anistia, da qual cerca de cem se beneficiaram entre sábado e domingo, segundo números preliminares. A ONG Foro Penal contabilizava ainda mais de 600 presos políticos encarcerados.
Aprovada e promulgada na quinta-feira, a lei de anistia havia sido prometida, sob pressão dos Estados Unidos, pela presidente interina Delcy Rodríguez.
"Trinta e seis anos de carreira intocável na polícia" e "preso de graça, sem motivo" em outubro de 2024, lamentou Armando Fusil, de 55 anos, comissário da polícia de Maracaibo, capital do estado petroleiro de Zulia (oeste). "Estou bem. Saí bem. Te amo muito, minha rainha!", diz à esposa por telefone Robin Colina, outro dos detidos libertados. De cabeça raspada, como seus companheiros, e vestindo camiseta branca, Fusil está visivelmente emocionado. Com a voz um pouco trêmula, afirma que está "feliz, claro" por sair. "Todo mundo estava esperando a saída, estava esperando por todos os acontecimentos que estão acontecendo". "Há muitas pessoas em greve de fome porque querem sair", acrescenta.
A alegria pelas libertações dá esperança aos familiares que acampam do lado de fora do presídio há quase dois meses. Eles estão exasperados, e a greve de fome aumenta a angústia. "Estamos preocupados", diz Hiowanka Ávila, de 39 anos. "Estamos aqui fora, os familiares, preocupados com essa situação lá dentro". Seu irmão, Henryberth Rivas, é um civil acusado de ter participado de um atentado com drone contra Nicolás Maduro em 2018.
