Após fala de Trump, grupos armados de oposição ao governo do Irã negam ter recebido armas dos EUA
Diversos líderes de partidos curdos iranianos negaram ter recebido armas dos Estados Unidos, após o presidente Donald Trump afirmar que Washington havia enviado armas para manifestantes iranianos por meio dos curdos.
Siamand Moeini, figura importante do Partido para a Vida Livre no Curdistão (PJAK), um grupo armado, rejeitou essas alegações. Ele destacou que não poderia comentar pelos outros.
Posteriormente, Hana Yazdanpanah, coordenadora de relações exteriores do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK), também negou a chegada de novos suprimentos. O grupo, segundo ela, ainda possui os antigos fuzis Kalashnikov usados contra o Estado Islâmico.
'Enviamos armas para os manifestantes, muitas delas. Acho que os curdos as receberam', disse Trump nessa segunda-feira (6) em entrevista à Fox News.
A ideia, segundo ele, era ajudar os manifestantes. Trump ainda complementou que eles 'deveriam ter ido até o povo para que este pudesse revidar'.
Presidente americano acrescentou, em seguida, que as armas eram mantidas por 'um grupo de pessoas', sem especificar a quem se referia.
Trump não deixou claro também se o objetivo dessa ação era uma derrubada já do governo de Ali Khamanei, que acabou sendo morto pouco tempo depois em ataques americanos e israelenses.
Protestos no Irã
Reprodução/TV Globo
Irã convoca jovens para fazer 'corrente humana' ao redor de usinas de energia pelo país
O Irã convocou nesta terça-feira (7) os jovens do país a realizarem 'correntes humanas' ao redor das usinas de energia para evitar ataques por parte dos Estados Unidos e de Israel.
A afirmação foi feita na televisão estatal por Alireza Rahimi , secretário do Conselho Supremo da Juventude e da Adolescência, após ameaças de novos ataques por parte dos EUA. O apelo, feito durante uma videochamada, foi dirigido a 'todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários, bem como seus professores'.
Ele pediu para que eles se reúnam nesta terça ainda nas usinas, defendendo que são 'nosso patrimônio nacional e nossa capital, independentemente de qualquer gosto ou opinião política, pois pertencem ao futuro do Irã e à juventude iraniana'
Em meio a isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o Irã inteiro nesta terça (7) se o Estreito de Ormuz não for reaberto até as nove da noite, pelo horário de Brasília. A rota é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.
BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Nessa segunda (6), o governo americano e o regime iraniano rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão.
O presidente americano disse que, caso não haja um acordo aceitável hoje, todas as pontes e usinas de energia do Irã serão dizimadas em poucas horas.
O presidente Donald Trump disse que não está preocupado se os Estados Unidos forem acusados de cometer crime de guerra ao atacarem alvos civis, como as usinas elétricas.
Para o republicano, o verdadeiro crime de guerra é permitir que um país com líderes que ele considera dementes possua uma arma nuclear.
Em outro momento durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. Mas ponderou que os cidadãos americanos querem o fim da guerra.
Em resposta, o Exército iraniano chamou as ameaças de Trump de delirantes e disse que elas não vão compensar a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.
O prazo que expira nesta terça-feira (7) é um ultimato que já foi adiado 4 vezes pelo presidente americano desde 21 de março.
