Após fala de Ortega, Congresso da Nicarágua anuncia

Após fala de Ortega, Congresso da Nicarágua anuncia 'plano de trabalho' para suspender eleições

Fonte: Bandeira



O Congresso da Nicarágua anunciou um 'plano de trabalho' para implementar a ordem que havia sido expressar pelo presidente Daniel Ortega de que o país não deve mais realizar eleições.

Ortega está no poder desde 2007 e agora governa ao lado de sua esposa, Rosario Murillo, como "copresidente".

A ONU e os Estados Unidos criticaram seu anúncio.

Durante a cerimônia que marcou o 47º aniversário da revolução sandinista de 1979, na qual ele ajudou a derrubar a brutal ditadura de Anastasio Somoza García, Ortega disse que trabalharia com o Congresso para aprovar novas leis que 'construiriam um muro' contra a oposição.

Na terça-feira (21), a Assembleia Nacional, controlada por Ortega, emitiu um comunicado afirmando que, sob o pretexto de 'garantir a paz, a segurança, a estabilidade e a continuidade das conquistas na luta contra a pobreza', estava 'iniciando a análise necessária para elaborar um plano de trabalho para implementar as diretrizes do presidente'.

Embora o regime de Ortega já seja marcado por críticas sobre o processo democrático, como a violenta repressão de protestos, o encarceramento de milhares de pessoas e o exílio forçado de quase 1 milhão de nicaraguenses, o anúncio de domingo representou uma escalada que agora está sendo posta em prática pelo Congresso.

Nesta quarta-feira (22), o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu às autoridades nicaraguenses que 'reabrissem o espaço cívico e restaurassem o Estado de Direito.

Pessoas de todas as visões políticas devem ter permissão para votar e candidatar-se a cargos públicos, em conformidade com as obrigações internacionais do Estado em matéria de direitos humanos'.

O período ininterrupto de quase 20 anos de Ortega no poder não é sua primeira passagem pelo governo.

Ele liderou a junta que assumiu o poder após a revolução sandinista e, em 1984, foi eleito presidente, permanecendo no cargo até 1990.

Seu mandato atual, para o qual foi eleito após proibir partidos de oposição e prender todos os candidatos presidenciais da oposição antes das eleições de 2021, deveria terminar em novembro do ano que vem.


No entanto, as mudanças constitucionais do ano passado estenderam o mandato presidencial de cinco para seis anos.

Apesar do anúncio da Assembleia Nacional, permanece incerto se as eleições de 2027 serão canceladas por completo ou se Ortega e Murillo concorrerão sem oposição.

Marco Rubio condena fala de Ortega sobre fim das eleições na Nicarágua

Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, durante encontro nas Filipinas.

Brendan Smialowski / POOL / AFP

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, condenou as declarações do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, após ele afirmar que novas eleições no país não vão ocorrer mais.

Em comunicado nesta terça-feira (21), Rubio afirmou que a decisão de Ortega revela uma natureza autoritária.

Rubio pediu ainda apoio à comunidade internacional para mostrar, nas palavras dele, que a ditadura de Ortega não pode continuar agindo como se nada estivesse acontecendo.

A declaração de Ortega foi feita no domingo (19), durante as comemorações da Revolução Sandinista.

A fala provocou uma reação da Organização dos Estados Americanos que afirmou que a Nicarágua abandonou a democracia.

Com 80 anos, Ortega está no poder há quase duas décadas.

Depois de governar o país nada década de 1980, voltou ao cargo em 2007, e desde então, mantém-se no comando.

A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano, mas uma reforma constitucional aprovada há um ano e meio ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos

Ortega afirmou ainda que os opositores, praticamente todos vivendo no exílio, continuam tentando se organizar para disputar o poder.

As declarações também foram criticadas pelo governo de direita da Costa Rica, que afirmou, em comunicado, haver uma perseguição contra vozes dissidentes na Nicarágua.

Em resposta, o governo de Ortega rejeitou a manifestação e declarou que não é uma província do país vizinho.

Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, ao lado da esposa, Rosario Murillo, considerado um co-presidente.

Cesar PEREZ / El 19 DIGITAL / AFP