Após exames, Bolsonaro passa noite tranquila na PF e conversa normalmente com Carlos e Michelle
O ex-presidente Jair Bolsonaro passou uma noite tranquila após retornar à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, depois de realizar uma bateria de exames no hospital DF Star. Diagnosticado com traumatismo craniano leve em decorrência de uma queda na sala especial onde está detido, Bolsonaro conseguiu dormir bem, apresentou comportamento mais calmo e demonstrou satisfação ao receber, na manhã desta quinta-feira, a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do filho Carlos Bolsonaro.
Relatos colhidos pelo GLOBO indicam que Bolsonaro se mostrou mais disposto e conversativo do que no dia anterior, quando houve a queda e a necessidade de exames médicos provocaram apreensão no entorno familiar e político. Interlocutores afirmam que ele conversou durante todo o período das visitas, que duraram cerca de 30 minutos cada, manteve raciocínio organizado e demonstrou interesse em temas cotidianos, o que foi interpretado como um sinal de estabilidade após o episódio.
A avaliação predominante entre aliados e familiares é que o ex-presidente estava sereno, lúcido e com boa capacidade de interação, o que trouxe alívio momentâneo depois da tensão gerada pela ida ao hospital. Ainda assim, o clima segue sendo de cautela. Pessoas próximas ressaltam que o episódio da queda reforçou a preocupação com o ambiente de custódia e com a necessidade de acompanhamento mais próximo, argumento que tem sido usado para insistir no pedido de cumprimento da pena em regime domiciliar.
Segundo esses relatos, Bolsonaro não mencionou ter tido crises de soluço durante a madrugada e afirmou ter conseguido descansar. Nos bastidores, porém, a principal apreensão manifestada por Michelle não está relacionada diretamente à lesão na cabeça — considerada de baixo risco pela equipe médica —, mas ao conjunto de medicamentos em uso. Pessoas próximas dizem que ela levantou dúvidas sobre possíveis efeitos colaterais ou interações medicamentosas, especialmente porque o ex-presidente faz uso de diferentes remédios para o controle de crises persistentes de soluço, além de outras medicações associadas a quadros clínicos anteriores.
Há também incerteza, segundo esses interlocutores, sobre a ocorrência de episódios de soluço durante a noite, uma vez que, em alguns casos, eles podem acontecer enquanto o paciente dorme, sem que sejam percebidos.
Na quarta-feira, Bolsonaro foi submetido a tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma no hospital DF Star. Os exames identificaram apenas lesões em partes moles nas regiões temporal e frontal do lado direito da cabeça, sem qualquer comprometimento intracraniano. Segundo o médico Brasil Ramos Caiado, o quadro é compatível com traumatismo craniano leve, e o eletroencefalograma apresentou resultado normal, afastando a hipótese de lesões mais graves.
De acordo com o médico, a queda ocorreu na madrugada de terça-feira. Inicialmente, havia a suspeita de que Bolsonaro tivesse caído da cama, mas, após os exames constatarem lesão no lado direito, a equipe médica passou a considerar que ele se levantou, tentou caminhar e acabou caindo. Caiado afirmou que não houve confirmação de crise convulsiva e que os sintomas apresentados no momento do episódio motivaram a realização dos exames, considerados de praxe nesse tipo de situação.
Apesar do prognóstico clínico considerado favorável, Carlos Bolsonaro adotou um tom mais duro ao se manifestar publicamente nas redes sociais nesta quinta-feira. O vereador afirmou que o pai estaria “cada dia pior”, mencionou o uso de antidepressivos e aparelhos para apneia do sono e criticou as condições da cela, que classificou como insalubre.
Na mesma publicação, Carlos relatou ter presenteado o pai com um rádio de pilha, alegando que o aparelho anterior não funcionava adequadamente.
