Após dizer que paciente 'morreria no Natal', enfermeira é expulsa por conduta e falhas graves na Inglaterra

 

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Uma enfermeira de cuidados paliativos foi expulsa do registro profissional, neste mês de abril, após uma série de falhas graves e comentários considerados inapropriados e discriminatórios durante sua atuação em um hospice no sul da Inglaterra.

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Naomi Butcher, de 60 anos, trabalhava no St Peter and St James Hospice, em Lewes, East Sussex, entre 2023 e 2024. Segundo decisão do Conselho de Enfermagem e Obstetrícia (NMC), sua aptidão para exercer a profissão foi considerada comprometida após investigação iniciada em abril de 2024, a partir de denúncia da própria instituição.

Entre os episódios analisados, um painel destacou um comentário feito em dezembro de 2023, quando a enfermeira teria dito a colegas: “Aposto com todos vocês que ele vai morrer no dia de Natal”, referindo-se a um paciente.

Conduta discriminatória e falhas clínicas

Meses depois, Butcher recusou o pedido de uma família para visitar o espaço do hospice após a morte de um parente. Segundo o processo, ela justificou a decisão com base em estereótipos, afirmando que os familiares “ficariam por horas porque são ciganos” e que poderiam comparecer em grande número. Testemunhas também relataram que ela disse que esse grupo “queima corpos em caravanas”, declaração classificada como discriminatória pelo painel.

No mesmo dia do episódio, a enfermeira administrou 50 mg de Midazolam, um sedativo potente, a um paciente terminal ao longo de 24 horas, dose considerada dez vezes superior à indicada. Mesmo após o erro, ela registrou a administração como correta, expondo o paciente a risco de morte. A investigação apontou ainda outros casos de medicação inadequada e falhas em procedimentos básicos de verificação.

De acordo com o NMC, Butcher demonstrou “pouca compreensão” sobre a gravidade de sua conduta e não reconheceu o impacto de suas ações sobre pacientes, colegas e familiares. O órgão avaliou que permanece o risco de repetição, já que não houve medidas para corrigir as falhas identificadas.

Em declaração ao Daily Mail, a enfermeira afirmou ter solicitado duas vezes a própria exclusão do registro profissional, sem sucesso. Ela atribuiu os erros a problemas familiares e disse que não deveria ter retornado à área. Sobre os comentários envolvendo pacientes, não se pronunciou diretamente. Em relação às falas sobre viajantes, admitiu parte das declarações, mas negou ter mencionado a prática de queimar corpos, versão contestada por testemunha.

A exclusão do registro entrará em vigor após o prazo de 28 dias para eventual recurso.