Após desfile com problemas em carro da Velha Guarda, carnavalesco da Portela pede demissão

 

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Não passaram nem 24 horas que a Portela passou pela Avenida e a escola já não tem mais carnavalesco. O motivo é que André Rodrigues, que assinou o desfile que acabou marcado por problemas no último carro alegórico e uma chegada caótica à dispersão, decidiu se desligar da agremiação. A saída foi em comum acordo. O substituto ainda não foi anunciado.

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André — que ficou responsável por três carnavais na escola — chegou à Portela após o carnaval de 2023, para fazer dupla com Antonio Gonzaga, que deixou a azul e branca após o desfile do ano passado e assumiu o barracão da Grande Rio. Em publicação nas redes sociais na noite desta segunda-feira, o agora ex-carnavalesco da escola de Madureira afirmou que tem "um compromisso inabalável com a melhor entrega de tudo" que faz. Mas essa característica o fazia sofrer consequências, afirmou.

"Isso, por diversas vezes, coloca sobre as minhas costas responsabilidades além da minha função", escreveu André, referindo-se ainda ao último carro alegórico da Portela, que travou na concentração e fez com que a escola passasse por apuros na entrada do Sambódromo: toda a escola já estava desfilando, enquanto o Setor 1 e boa parte da Avenida Presidente Vargas contavam com um vazio, já que o carro não se mexia. A alegoria trouxe a tradicionalíssima Velha Guarda. "Eu não deveria ser a única pessoa na armação que sabia destravar um carro alegórico para garantir que a Velha Guarda desfilasse, mas eu era e fiz".

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André Rodrigues relatou ainda que é alvo de ataques e, agora, sua filha, de 4 meses, também passou a ser alvo das ofensas. "Quatro meses, tempo em que eu queria ter estado muito mais presente e não estive para garantir que esse carnaval chegasse na avenida de maneira digna", ressaltou, afirmando que ama "profundamente" a Portela, "sua história e suas pessoas".

Por dois anos, André assinou desfiles que venceram o Estandarte de Ouro de melhor escola: em 2023, pela Beija-Flor, com o desfile "Brava Gente! O grito dos excluídos no palco do samba", desenvolvido com Alexandre Louzada, e o de 2024, sobre o livro "Um defeito de cor", pela Portela.

Agremiação emitiu comunicado oficial

Momentos após a comunicação da saída do carnavalesco, a Portela fez um comunicado oficial:

"A Portela oficializa o encerramento do vínculo profissional com o carnavalesco André Rodrigues, que atuava no desenvolvimento do carnaval da escola. A decisão foi estabelecida em comum acordo na tarde desta segunda-feira (16).

O profissional integrou a equipe responsável pelo desenvolvimento dos desfiles da escola nos últimos três anos, em 2024 e 2025, assinando o carnaval ao lado de Antônio Gonzaga, com os enredos “Um Defeito de Cor” e “Cantar será buscar o caminho que vai dar ao sol”, respectivamente; e em 2026, com “O mistério do príncipe do Bará”.

A escola deixa claro o agradecimento ao profissional pelo trabalho desenvolvido, destacando sua atuação nos projetos artísticos e sua colaboração ao longo do período em que esteve à frente do carnaval.

A Portela, por meio do presidente Junior Escafura, da vice-presidente Nilce Fran e da presidente de honra Vilma Nascimento, deseja a André Rodrigues sucesso em seus próximos passos profissionais."

Desfile atrapalhado

A Portela desfilou renovada neste ano. No primeiro carnaval da gestão de Junior Escafura como presidente, a bateria passou a ser conduzida por Mestre Vitinho, substituto do Mestre Nilo Sérgio, que prestou serviços à Tabajara do Samba por 20 anos. Já os microfones passaram a ser conduzidos por Zé Paulo Sierra, que substituiu Gilsinho, identificado intérprete portelense, morto em setembro por complicações de uma cirurgia bariátrica.

Com um enredo que valorizava a cultura afro-gaúcha, a escola contou a história de Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, liderança do Batuque, a partir de Bará (Exu) e do Negrinho do Pastoreio. A entrada na Avenida foi aclamada: a comissão de frente com um homem voador, que subiu em um drone, e os belos carros davam um tom de confiança para o torcedor mais vezes campeão do carnaval.