Após denúncias de maus-tratos, 300 beagles resgatados de laboratório nos EUA serão colocados para adoção; vídeo

 

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Centenas de cães da raça beagle resgatados de um laboratório de pesquisas em Wisconsin, nos Estados Unidos, devem em breve ganhar novos lares. A operação, divulgada nas redes sociais neste fim de semana, mobilizou ativistas, entidades de proteção animal e voluntários, após denúncias de maus-tratos envolvendo a Ridglan Farms, instalação que criava os animais para testes de medicina veterinária e pesquisas sobre doenças.

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O Big Dog Ranch Rescue, organização localizada na Flórida, recebeu na noite de sábado (2) 300 beagles vindos do laboratório. O resgate faz parte de um acordo firmado na semana passada entre a instituição, o Centro para uma Economia Humana e a Ridglan Farms, prevendo a retirada de mais de 1.000 cães do local.

Confira:

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Segundo a imprensa local, em 2025, um juiz concluiu haver indícios suficientes de crueldade contra os animais após inspetores estaduais identificarem cerca de 300 supostas violações das normas de bem-estar animal. Entre as denúncias, estavam relatos de ferimentos sem tratamento e cirurgias realizadas sem anestesia.

Em outubro do mesmo ano, a Ridglan Farms assinou um acordo para renunciar à sua licença de reprodução até 1º de julho de 2026. Ainda assim, a repercussão entre defensores dos direitos dos animais continuou intensa.

Pressão de ativistas e protestos

Em março deste ano, ativistas invadiram o laboratório e retiraram 22 beagles do local. Segundo o jornal Sun Sentinel, oito deles foram posteriormente devolvidos pela polícia. No mês seguinte, centenas de manifestantes voltaram a protestar na propriedade, em uma mobilização que terminou com várias prisões.

Nas redes sociais, o Big Dog Ranch Rescue celebrou a chegada dos cães e destacou o apoio recebido durante a operação.

"Somos imensamente gratos a todos que compareceram de madrugada para receber nossos ônibus e vans de transporte e ajudar a acolher esses cães com tanto carinho e compaixão", escreveu a instituição no Facebook.

A organização afirmou ainda que, graças a doações e apoio de voluntários, foi possível transportar os primeiros 300 animais para a Flórida, onde iniciarão uma nova etapa de vida.

"Embora este seja um marco importante, o caminho pela frente ainda é longo", acrescentou o grupo.

Os cães passarão por castração, esterilização, vacinação e implantação de microchips antes de serem disponibilizados para adoção. Outros 700 beagles ainda serão levados posteriormente para o rancho de resgate na Flórida, enquanto os 500 restantes deverão ser encaminhados para outro local sob responsabilidade do Centro para uma Economia Humana.

O presidente da entidade, Wayne Pacelle, classificou a ação como “uma das maiores transferências” já realizadas envolvendo cães de laboratório.

Laboratório nega abusos

Em comunicado enviado à Fox News, a Ridglan Farms negou as acusações de maus-tratos e afirmou que os animais sempre receberam os cuidados adequados.

"Os cães da Ridglan Farms são felizes, saudáveis e bem cuidados. A documentação pública do USDA comprova que essa situação se mantém há muitos anos", declarou o laboratório.

A empresa também afirmou esperar que os animais “continuem a viver vidas felizes em seus novos lares adotivos” após deixarem as instalações de pesquisa.

Segundo o Beagle Freedom Project, os beagles costumam ser a principal raça utilizada em testes laboratoriais por apresentarem comportamento dócil e sociável.

"As mesmas características que os tornam companheiros e membros da família incríveis são o motivo pelo qual são explorados pela indústria de testes em animais", afirmou a organização.