Após debate sobre Erika Hilton, influenciadora diz que polêmica envolvendo mulheres trans também existe fora do Brasil
Nos últimos dias, a discussão sobre identidade de gênero voltou a ganhar destaque no Brasil após a eleição da deputada Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. O episódio gerou repercussão dentro e fora do Congresso e reacendeu debates nas redes sociais sobre o reconhecimento de mulheres trans como mulheres, em meio a comentários polarizados sobre identidade, representação e espaço social.
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Paralelamente, decisões judiciais recentes sobre o tema também intensificaram a atenção do público. Nesse cenário, a influenciadora trans Suellen Carey, de 38 anos, brasileira radicada em Londres, observa que o debate não é exclusivo do Brasil e se manifesta de formas semelhantes em outros países.
Segundo ela, no Reino Unido, a questão da identidade de gênero tem espaço não apenas nas redes, mas também em decisões políticas e judiciais, especialmente sobre definições legais e acesso a espaços femininos.
"Aqui também existe essa discussão, principalmente quando envolve leis, direitos e definição de identidade. A diferença é que as pessoas falam isso de forma mais direta, mesmo quando é desconfortável", explica.
A influenciadora relata que a discussão ultrapassa o campo teórico e já impactou sua rotina pessoal. Em Londres, ela diz ter enfrentado um episódio ao utilizar o banheiro feminino em um espaço público, quando foi alvo de olhares e comentários ofensivos.
"Teve um momento em que eu fui usar o banheiro e algumas pessoas começaram a me questionar e a falar coisas ofensivas. Foi uma situação desconfortável, mas que mostra que esse debate também existe aqui fora", conta.
Para Suellen, a diferença entre os países está mais na forma como o debate se manifesta do que na sua existência. Enquanto no Brasil a discussão tende a se intensificar nas redes sociais, no Reino Unido ela também ocorre em decisões institucionais, ampliando o alcance e a visibilidade do tema. "Essa combinação entre política, justiça e sociedade torna o debate mais visível e constante", detalha.
A influenciadora também destaca que conseguiu permanecer no Reino Unido após comprovar ter sido vítima de perseguição e violência no Brasil, obtendo um visto de proteção. "Eu precisei provar o que vivi no Brasil para conseguir ficar aqui. Isso mostra que existem leis que reconhecem essa realidade, mas o debate continua acontecendo. Não é algo resolvido", afirma.
Viver fora do país, segundo Suellen, ajudou a perceber que a discussão sobre identidade de gênero ocorre em diferentes níveis e contextos. "O que muda é que aqui isso também passa pela lei e não só pelas redes. Mas o questionamento existe do mesmo jeito", conclui.
