Após críticas e ameaças de processo, Argentina voltará a permitir entrada de jornalistas na sede do governo
Os jornalistas credenciados voltarão a entrar na Casa Rosada, sede do governo da Argentina, na segunda-feira, após mais de uma semana de bloqueio devido a uma denúncia de suposta espionagem, confirmou nesta quinta-feira à AFP uma fonte da Presidência.
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A medida revoga uma restrição inédita que, desde 23 de abril, impedia o acesso de cerca de 50 repórteres ao seu local habitual de trabalho, e que havia provocado críticas de associações de imprensa, líderes da oposição e da Igreja Católica. Além da reabertura, o chefe de Gabinete de MIlei, Manuel Adorni, dará uma entrevista coletiva no local na manhã de segunda-feira. Ele está no centro de um escândalo de corrupção, e nega todas as acusações.
O governo de Javier Milei havia justificado a decisão como uma medida "preventiva", depois que a Casa Militar, responsável pela segurança da sede presidencial, promoveu uma investigação judicial contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por terem filmado em setores supostamente restritos e sem autorização. Os jornalistas alegaram que contavam com permissão e que os locais registrados costumam ser visitados inclusive por crianças durante excursões escolares.
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O jornal Ámbito Financiero apresentou, em 24 de abril, um recurso de amparo judicial, enquanto o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba) preparava ações semelhantes. Na segunda-feira, o monsenhor Jorge Lozano, responsável pela Comunicação Social do Episcopado, aproximou-se da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, para expressar solidariedade com os jornalistas impedidos de entrar e fez um apelo ao diálogo.
Milei mantém uma relação áspera com a imprensa, a quem desqualifica com insultos como "imundos" e, nas redes sociais, costuma publicar a sigla NOLSALP: "Não odiamos o suficiente os jornalistas". Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, em relatório publicado nesta quinta-feira, "a injúria, a difamação e as ameaças do governo de Javier Milei contra jornalistas e veículos de comunicação críticos tornaram-se constantes desde sua chegada ao poder". O país aparece na 98º posição (de um total de 180) no ranking global de liberdade de imprensa, uma queda de 11 posições em relação a 2025.
